domingo, 8 de maio de 2011

Jornalista Ricardo Setti, da Veja, admite erro e se retrata

Atualizado às 15:02, com a íntegra de reportagem repudiada

Por daSilvaEdson

Um exemplo de dignidade.

Ainda mais significante quando parte de um Jornalista da Veja:

"Errei feio, comentando suposta passageira "clandestina" no avião presidencial e exigindo a demissão do comandante. Peço desculpas a ele e aos leitores, e conto o que se passou"

Vale a pena ler.

E cumprimentar o Setti.

Da Coluna do Ricardo Setti, na Veja

Errei feio, comentando suposta passageira "clandestina" no avião presidencial e exigindo a demissão do comandante. Peço desculpas a ele e aos leitores, e conto o que se passou

Amigos, errei, errei feio, reconheço o erro e vou tentar, aqui, repará-lo.

Trata-se de post que publiquei no dia 7 de abril passado, e que já retirei do blog, sob o título "Passageira clandestina no avião presidencial é o fim da picada, é uma desmoralização: Dilma tem que demitir o coronel responsável".

No caso, tratava-se da irmã de uma das sargentos comissárias de bordo do avião, que viajou a bordo na ida de Brasília para a cidade de Natal, próxima à qual a presidente Dilma passou os feriados de Carnaval, e também na volta.

Eu me baseei, para o comentário, em noticiário a respeito publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, que mencionava ainda a existência de uma "crise" no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), responsável pela segurança dos presidentes.

Com base no material do Estadão, que reputo um jornal confiável, postei o comentário dizendo que ocorrera uma falha na segurança da presidente, atribuí a responsabilidade pelo caso ao coronel-aviador Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, comandante do avião presidencial e comandante da Base Aérea de Brasília, e pedi sua demissão.

Mas errei, e, cumprindo um dever ético elementar para um jornalista, peço aqui publicamente desculpas ao coronel-aviador Lyra, bem como à jovem, cujo nome não vou mencionar para não causar-lhe mais embaraços do que a nota original já provocou.

Passo, também, a contar o que realmente se passou.

O comandante do avião presidencial não autoriza nem desautoriza ninguém a embarcar, nem é responsável pela segurança da presidente.

A viagem da passageira foi autorizada por quem de direito: o major-brigadeiro Francisco Joseli Parente, chefe da Secretaria de Coordenação e Acompanhamento de Assuntos Militares do GSI, que acompanhou todos os vôos do ex-presidente Lula durante seu mandato e que continua nas mesmas funções com a presidente Dilma, e também pelo chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo.

Ou seja, a passageira não embarcou desautorizada, nem escondida. Seu nome estava na lista de passageiros autorizados a viajar no avião presidencial e, durante o vôo, ela sentou-se ao lado de uma das agentes de segurança femininas de Dilma e não distante do general-de-brigada Marco Antônio Amaro dos Santos, chefe da segurança pessoal da presidente.

A passageira, diferentemente do que publicou o jornal e do que reproduzi, não utilizou mala de viagem idêntica à utilizada pela tripulação, de cor preta, mas uma mala comum, de cor roxa.

A presidente Dilma soube do caso devido à repercussão e obteve, do brigadeiro Joseli, a informação de que ele e o chefe de gabinete Giles Azevedo haviam autorizado o embarque. Dilma não havia sido previamente informada da carona por Giles e não deu importância ao episódio.

O noticiário a respeito e sua repercussão, inclusive o post de minha autoria, causaram dissabores ao coronel Lyra, a quem a presidente Dilma, antes do embarque para a recente viagem oficial à China, abraçou e disse para esquecer o episódio.

Comentário

Alguns leitores estranharam o fato de eu ter elogiado Ricardo Setti, quando de sua contratação para blogueiro da Veja. Este é o Setti, grande jornalista e grande caráter.

Outro ponto que tenho chamado a atenção é o processo pelo qual passa a sucursal do Estadão em Brasilia. Apesar de contar com grandes profissionais, está sob a influência da "folhificação", que destoa de uma tradição secular de sobriedade e rigor com que o jornal sempre tratou as informações.

PS - Não se confunda posição política com caráter. Posição política não é defeito moral. No quesito caráter, não há quem não respeite Setti, depois de conhecê-lo,

De van

Aqui, a matéria picuinha do Provinção. O autor, não é piada do PH, é Leandro Colon, naturalmente colonista do prestigiado e ilibado jornal.

LEANDRO COLON - Agência Estado

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República admitiu hoje que houve falha no processo que permitiu a carona da professora de Educação Física Amanda Patriarca no avião presidencial que levou a presidente Dilma Rousseff para descansar em Natal (RN) no carnaval. "Houve um equívoco no processo de autorização de viagem da passageira em questão, que não fazia parte da comitiva da Presidenta da República", afirmou o GSI, em nota divulgada à imprensa.

O GSI afirmou ainda que a presença da passageira, convidada pelo comandante do avião, Geraldo Lyra Júnior, não colocou em risco a segurança da comitiva presidencial. "Todos os passageiros do voo em questão foram previamente identificados e submetidos aos procedimentos usuais de segurança", disse.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada hoje revelou que o coronel Geraldo Júnior infiltrou uma amiga nos voos de ida e volta que levaram Dilma para descansar em Natal no carnaval. O episódio abriu uma crise no GSI, responsável pela segurança da presidente. Convidada pelo coronel, a professora Amanda Patriarca é irmã de Angélica Patriarca, comissária da mesma aeronave.

À reportagem, Amanda disse que o coronel ajudou a colocá-la no avião de última hora porque ele é "amigo" de sua família. Ela afirmou que a presidente Dilma Rousseff não sabia de sua presença. Todos viajaram a Natal e ficaram na cidade a passeio entre 4 e 8 de março.



Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-pedido-de-desculpas-de-ricardo-setti

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