sexta-feira, 24 de junho de 2011

JACQUES DIOUF: O COMANDO DA FAO DEVE FICAR COM UM PAÍS EM DESENVOLVIMENTO

Oficialmente neutro, como manda o protocolo, Jacques Diouf, diretor-geral da FAO --cuja sucessão será decidida neste domingo, 26, em Roma-- confidenciou a diplomatas que considera indispensável manter o comando do principal organismo internacional de luta contra a fome nas mãos de um país em desenvolvimento. A manifestação reservada de Diouf equivale a um apoio implícito à candidatura brasileira de José Graziano da Silva. O único adversário que rivaliza com Graziano, Miguel Angel Moratinos, ex-chanceler espanhol, representa no fundo a União européia, cujo protecionismo agrícola penaliza os países pobres e constitui uma das causas da fome no mundo, sobretudo na África. A sucessão na FAO não é um acontecimento político negligenciável. Trata-se da primeira eleição para um organismo multilateral depois da crise mundial de 2007/2008. A hegemonia neoliberal que condicionou todos os processos sucessórios dos últimos anos nos órgãos internacionais, desta vez carece de poder indutor absoluto. A FAO sempre foi, ao lado da Unctad, uma tribuna de expressão dos países pobres. Ao contrário do que ocorre no FMI e no Banco Mundial, por exemplo, em que o poder econômico de um punhado de países ricos se impõe sobre a maioria, na eleição da FAO cada nação vale um voto. É um bom teste da capacidade de articulação da chancelaria brasileira e um termômetro oportuno da sintonia Sul-Sul.
(Carta Maior; Sábado, 25/06/ 2011)

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