sábado, 6 de março de 2010

Max Altman: E não é que a política internacional do PT tem carradas de razão!

Ranjam os dentes, srs. Rubens Barbosa, Celso Lafer e outros especialistas e ex-chanceleres, adeptos da sumbissão à política geo-estratégica de Washington. Destilem seu desespero, editorialistas e colunistas da nossa ínclita grande imprensa, que pretendem desqualificar a crucial e histórica reunião de Cancún, destacando aspectos laterais, como o bate-boca entre Uribe e Chávez, provocado aliás pelo presidente colombiano que fora de hora e fora do temário buscou o confronto. Como é moda nesses últimos dias, por dá cá aquela palha, a nossa mídia reproduzir trechos do Programa aprovado no IV Congresso do PT para alicerçar – e geralmente distorcer - seus pontos de vista, eu também me valho desse expediente para demonstrar que os recentes acontecimentos estão dando razão à análise do PT e que o partido olha para o futuro com otimismo e esperança:

“O complexo quadro internacional desta década confirmou a necessidade do PT ser capaz de elaborar uma interpretação autônoma da situação internacional ... c) estimulando um viés latino-americano e caribenho; d) realizando a crítica ao comportamento imperialista das metrópoles...”; “ ... nossa prioridade regional é a América Latina ...”; “o PT é um partido internacionalista, anti-imperialista, anticolonialista, socialista e defensor da integração latino-americana. “



A Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos reunida em Cancún, México, aprovou por unanimidade a criação de um organismo regional, que reúne todos os países latino-americanos e caribenhos, independente da orientação ideológica de seus governantes, sem a participação dos Estados Unidos e do Canadá.



A declaração final inaugural contempla um vasto leque de 87 pontos que passam pelos temas da crise financeira internacional, comércio, energia, integração física em infra-estrutura, ciência e tecnologia, desenvolvimento social, migração, desenvolvimento sustentável,desastres naturais, direitos humanos, assuntos de segurança e cooperação Sul-Sul.

O novo organismo substituirá o Grupo do Rio e o Caricom e funcionará em paralelo à OEA que se mostrou incapaz de resguardar a democracia depois de seus infrutíferos esforços de reverter o golpe de Estado em Honduras.



A decisão de criar esse novo organismo, puramente latino-americano e caribenho, terá seguramente uma importância histórica transcendental. A exclusão dos Estados Unidos significa derrogar a Doutrina Monroe e a política intervencionista que historicamente protegeu ditaduras militares, governos fantoches, entreguistas e tiranias anti-populares. Ao mesmo tempo consolida a soberania e a independência das nações e a auto-determinação dos povos de nosso continente. Poderemos, enfim, dizer que nossa região deixa de ser o pátio traseiro do império de Washington.



Novos e promissoras perspectivas se abrem. A criação de um novo bloco, disposto a buscar não só o mero comércio interempresarial, mas também a cooperação, a complementação; a procurar a integração econômica fundada numa eficiente infra-estrutura, mais um sólido e contínuo intercâmbio social, cultural, desportivo e turístico, tenderá a redesenhar a geopolítica internacional e as relações internacionais. Ajudará o mundo a deixar, definitivamente, de ser unipolar, época que carregou consigo guerras e insegurança, e abraçará a multipolaridade que trará equilíbrio, cooperação e paz.



O importante agora é elaborar com agilidade e eficiência os estatutos, a regulamentação e os demais documentos que consolidarão na reunião de 2011 em Caracas esse organismo, criando as condições de pô-lo em marcha.



E se a partir de 2011, a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos encontrar o cara, hábil e carismático, que possa ocupar consensualmente sua liderança, o que hoje é esperança seguramente será amanhã realidade.



Max Altman é membro do coletivo da Secretaria de Relações Internacionais do PT.

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