quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Entrevista de Leno Miranda para o "Blog da Dilma Presidente"

1) Quem é o companheiro Leno Miranda? Fale um pouco da cidade Jequié na Bahia, onde você mora?
Sou militante do Movimento Estudantil – já fui do Centro Acadêmico de Biologia e coordenador do DCE UESB/Jequié – e faço parte de um coletivo de esquerda que se organiza nacionalmente – o Movimento Mudança . Cursei Ciências Biológicas na UESB/Jequié e agora vou tentar cursar Ciências Sociais em outra universidade pública. Tenho 26 anos, sou casado com uma grande companheira e militante, Priscila Figueiredo. Sou filiado ao PT há um bom tempo, faço parte do Diretório Municipal da cidade de onde sou natural, Ipiaú. Mas, moro numa cidade do interior da Bahia chamada Jequié, que tem mais ou menos 150 mil habitantes e é pólo de uma microrregião no sudoeste baiano. O PT na Bahia está passando por um processo de consolidação. Não é fácil pegar um estado que tem vários vícios e práticas fisiológicas entranhadas na boa parte da população, que é ligada a direita – sem contar que era o “carlismo” que comandava. Mas, aos poucos o Partido e o governo do estado vêm mudando esse quadro. Em Jequié não é diferente, e temos dois vereadores e um Deputado estadual do PT que estão desempenhando bem esta tarefa de consolidação para fazer diferente, e trabalhando para melhorar a situação da população.
2) Como foi sua experiência no M
ovimento Estudantil no Estado da Bahia?
O Movimento Estudantil baiano não é muito diferente de outros estados. Temos um número de pessoas que não querem sem envolver – influenciados, mesmo que inconscientemente, pela lógica do individualismo e egoísmo, que se proliferam na sociedade, dizendo que a organização coletiva não funciona e só atrapalha quem visa acumular capitais.

Não só o Movimento Estudantil, mas todo Movimento Social, sofre períodos de refluxos. Neste sentido, a tarefa dos militantes desses movimentos é fazer sempre uma auto-avaliação e procurar maneiras de trazer cada vez mais pessoas para a luta. Esta é uma importante tarefa de quem acredita que o povo organizado pode contribuir positiva
mente para o futuro de qualquer sociedade.
Sempre fazemos discussões sobre assuntos ligados a realidade social, mídia, política, a problemática interna da universidade, educação como um todo. Isto é feito, boa parte, no período de começo de semestre, para trazer os novos/as estudantes – que estão querendo conhecer como funciona a univer
sidade – para a luta. Dentre muitas ações que fizemos na gestão que participei do DCE (2007/2008), participamos = da reconstrução do Fórum dos DCE’s das Estaduais Baianas e construção do Projeto de Assistência Estudantil da UESB – que hoje está sendo, aos poucos, concretizado. Realizamos – o Fórum dos DCE’s em parceria com o atual governo do estado – o 1º Seminário de Assistência Estudantil do Estadual. E hoje, apesar das intempéries, a caminhada continua, e o pessoal do DCE e demais militantes – incluindo o grupo feminista Maria Quitéria – acabaram de realizar na UESB/Jequié o 1º EME (Encontro de Mulheres Estudantes) e o 1° Encontro de Extensionistas da Universidade.
3) O que falta para que nível educacional melhore no Brasil?

A meu ver, vários pontos são relevantes nesta questão. Então vamos discutir alguns deles.

É fato que a educação precisa de mais investimentos. No governo Lula isto cresceu bastante, mas ainda assim, a demanda por recursos é muito grande. Além disso, este dinheiro precisa ser gerido de forma correta, evitando-se desperdícios, e para que pessoas não utilizem a verba para benefício próprio.

O aumento da remuneração docente é outro fator extremamente importante. A profissão de educador é uma das mais importantes na sociedade, se não a mais importante, por isso, deveria ser uma das profissões mais bem remuneradas. Toda profissão tem que passar por um professor. E se ele não é valorizado, não tem como se dedicar à profissão para dar o seu melhor, compromete o futuro e o desempenho de vários cidadãos e cidadãs. E essa falta de compromisso ou de incentivo, talvez possa ter outros fatores embutidos. Muita gente só leciona porque não
conseguiu fazer alguma outra coisa que queria – e vira um profissional frustrado, desmotivado. Como a remuneração já é ruim, muitos nem tomam gosto pela profissão, contribuindo para que haja a má qualidade do ensino.
A Assistência Estudantil é outro ponto super relevante. Para que tenhamos um ensino de qualidade, o estudante também precisa ter condições de construir conhecimento. Não adianta termos uma mega escola, com um
a mega estrutura, com professores super comprometidos e bem remunerados, se o estudante não tem condições nem de chegar à escola – podendo ressaltar neste sentido as pessoas que moram afastados da escola ou universidade, incluindo os que são de outras cidades. Estes estudantes também precisam se alimentar descentemente; precisam se manter, ter tempo para estudar, etc. Deve ser indissociável a oferta de uma educação de qualidade junto com as condições para a manutenção dos educandos/as nas instituições de ensino.
Acredito que se avançarmos nestas e em outras questões, daremos longos e promissores passos para um ensino realmente de qualidade, que emancipe os indivíduos, que não seja voltado só para o mercado de trabalho; que seja dada uma atenção especial para a formação do indivíduo, do ser humano, do cidadão; que este ensino não seja meramente reprodutor de conteúdos; que haja a produção e construção dos conhecimentos, e que estes atendam as demandas da população.
4) Quais os avanços na área da Educação promovidos pelo Governo Lula?
Como citei a pouco, temos alguns pontos que devemos avançar no sentido educacional. Porém, é fato que a preocupação com o sistema educa
cional no governo PTista é grande. Sem dúvida foi um governo que investiu muito nesta área, em todos os sentidos. Desta forma, vejo que temos o que comemorar, mas não deixando de lutar por avanços maiores – esse é o papel do Movimento Social. O acesso a educação é cada vez mais crescente – tanto em relação a alfabetização, ao ensino fundamental, médio e superior – principalmente de pessoas de renda familiar baixa. O ENEM é um fator que contribui para este acesso, além disso apresenta uma proposta avaliativa inovadora, interdisciplinar, e que não privilegia o “decoreba” do assunto, mas sim, quem realmente assimilou o conteúdo. E isto, é lógico, concomitante ao crescimento do número de instituições de ensino. A universidade brasileira sempre foi um espaço ocupado por pessoas que conseguiam ter “um bom estudo” para adentrá-la – ou seja, ter boas condições financeiras. Nunca se abriu tantas vagas e se inseriu tantas pessoas – de condições financeiras mais variadas, principalmente de origem humilde – nestes espaços. E um dos principais responsáveis por esta inserção social é o atual governo. Em quinhentos anos do país só tínhamos uma universidade federal criada na Bahia. Em menos de oito anos já foram criadas mais duas federais no nosso estado. Se fosse fazer uma comparação – exagerada, é claro – que deve-se abrir uma federal, em um estado, a cada quinhentos anos, já teríamos avançado mil anos neste campo. Essa é uma comparação bem lúdica, mas a intenção é mostrar o quanto pouco foi feito – antes do governo Lula – em relação à educação e a importância que é dada agora.
5) Os jovens de hoje são mais ou menos politizados que os da época do Regime Militar?

Esta comparação é um pouco complicada. Os jovens que viveram o período da ditadura, principalmente os que lutaram contra o regime, são referências para a juventude atual. Com certeza não foi fácil enfrentar um regime que ceifava a maioria das liberdades
individuais, perseguia e matava muita gente. Talvez muitos jovens de hoje não teriam a coragem de adentrar ao movimento atualmente sabendo que logo poderiam ser presos, torturados ou mortos. Mas em relação à quantidade de jovens politizados, se analisarmos com calma, a grande maioria das pessoas que lutaram na ditadura tinham acesso a educação – boa parte na educação superior. Só que a proporção de pessoas que freqüentavam estas instituições era pequena em relação ao número de habitantes do país. Se relacionarmos o “número de habitantes X número de militantes”, de hoje e de antes, talvez tenhamos hoje mais jovens inseridos nesses processos sociais. Mas, comparando as dimensões ganhadas pelo movimento no período militar, sua perseverança e a coragem que tiveram, a juventude que viveu naquele período está à frente da nossa.
O padrão de vida baseado no acúmulo de capitais – a idéia de que “VOCÊ deve vencer na vida”, ganhar muito dinheiro “para ser ALGUÉM”, e esse negócio de “lutar pelos direitos” é coisa de baderneiro e “não leva ninguém a nada” transmitida, mesmo que maqu
iadamente, pela mídia – favorece muito esta despolitização e desmobilização. Hoje tem muita gente que quer ser como os principais personagens das novelas e dos filmes “hollywoodianos”. A criminalização dos Movimentos Sociais que é propagada pelos mesmos meios de comunicação também faz com que as pessoas não se envolvam.
Em contra partida, temos muita gente boa, com vontade de mudar para melhor este país, se organizando e que a grande imprensa não mostra. Tem muita gente que luta todo dia, colado com a base, em muitas escolas, universidades, associações de bairro, na periferia e em vários outros espaços. Só que, para alguns, não é interessante que isso seja divulgado, propagado, a não ser que se queira manipular a informação para desgastar a imagem de um grupo.

6) Com o surgimento da internet e de novas tecnologias, o que aconteceu com Movimentos Sociais?

A internet é uma super ferramenta. Só que o problema é a forma que usamos este recurso. Por exemplo, a comunicação de militantes do Brasil inteiro se dá, em grande parte, pela internet. É muito mais econômico e prático. A busca de informações também é uma coisa fantástica. Temos como saber o que está acontecendo em qualquer parlamento ou governo no mundo, eventos, mobilizações, a qualquer hora, ou no mesmo momento.

O problema é quando se usa a internet, e demais tecnologias, de uma forma que afaste a pessoa da vida social. Tem gente que não consegue conversar direito
com as pessoas pessoalmente, só atrás de uma tela de computador ou de um celular. Não tem nada que substitua a relação interpessoal, o contato humano. A vivência cotidiana com as pessoas é de um enriquecimento tremendo, a troca de experiências e a aprendizagem são bem maiores. Com relação aos movimentos sociais devemos ficar atentos a essa problemática, pois os militantes não devem se restringir as tecnologias como única forma de interação com suas bases.
7) Como você analisa o Governo Lula com o anterior, do tucano Fernando Henrique Cardoso?

Acho que o exemplo que citei em relação a criação de universidades federais na Bahia já dá para ilustrar um pouco. Não acho que o governo atual é perfeito, mas tenho certeza que é um dos melhores – senão o melhor – que este país já teve. Não é fácil ter mudanças extremamente profundas, em curto prazo – como os imediatistas, oportunistas, sectaristas e direitistas querem – numa sociedade que foi explorada e têm vícios e ranços, produzidos ao longo de mais de quinhentos anos. Me lembro muito que nas eleições de 2002,
Lula sempre falava que um projeto para ter mudanças maiores na nossa sociedade não tem condições de ser concluído em 4 ou 8 anos. Esse projeto tem que ser de no mínimo 30 anos.
Não precisa ser um grande analista político para enxergar que a vida dos brasileiros e das brasileiras mudou para melhor ao longo destes sete anos. Em plena crise mundial, todos os “jornalões” profetizando o apocalipse, torcendo para aqui dar tudo errado, mostrando a situação difícil das grandes economias mundiais, e aqui no país não sofremos estes grandes abalos sísmicos que os grandes “gurus” previam. Aqui foi apenas uma marolinha mesmo – sábio Lula.

A população percebe essa melhora e uma prova é a grande aprovação do governo Lula. O poder de compra do salário mínimo é bem maior que no governo FHC. A média de empregos é maior que o governo FHC e a taxa de desemprego é menor. Quem assistir hoje a aquele vídeo que a Regina Duarte gravou – para tentar convencer a população que um governo do PT seria ruim, em 2002, falando um monte de baboseira – deve morrer de rir. Eu mesmo fiz isso esses dias e dei muitas gargalhadas. O que ela fala é tão apelativo que qualqu
er pessoa que assistir ao vídeo hoje percebe o jogo de interesses que está por de traz daquela fala dramatizada da “ex-namoradinha do Brasil”.
8) Quem faz o pior jornalismo da imprensa brasileira? E por que?
Bem, como as grandes empresas de comunicação nacional são propriedade de algumas poucas famílias – que são representantes e porta-vozes das elites, diga-se de passagem
– e a democratização dos meios de comunicação precisa avançar, é difícil apontar quem faz o pior papel nessa história. Só frisando que estou me referindo a chamada “grande mídia”. É urgente que os meios de comunicação brasileiros sejam democratizados e acredito que a Companheira Dilma pode ajudar a dar importantes passos nesse sentido. Vou apenas citar um exemplo: a revista Veja, a meu ver, apresenta um conteúdo jornalístico de péssima qualidade e não só porque não concordo com seus ideais. A Veja mente ao povo brasileiro quando o induz a crer na sua imparcialidade. Além disso, diversas vezes li colunas com idéias preconceituosas e discriminatórias. Os jornalistas não respeitam a fonte de suas pesquisas, manipulando as informações ao seu bel prazer. Outro fator pejorativo é o espaço para propagandas. Na maioria das edições são encontradas mais páginas de anúncios do que material jornalístico propriamente dito, assim o leitor têm que “procurar” as matérias em meio a tanto lixo visual.
9) Se a ministra Dilma Rousseff fosse uma candidata "morta eleitoralmente", por que a Mídia Golpista e os tucanos bombardeiam tanto?

O sucesso provado e aprovado, por toda população brasileira, de um governo administrado pelo PT, com um nordestino como presidente, metalúrgico e de origem humilde – características sempre abominadas e rechaçadas pela “direitona” tosca brasileira – prova que há incoerência nas afirmativas destes segmentos conservadores. Além disso, mostra também que o modo de administrar da direita está bem longe de ser o ideal para o Brasil. A história de luta, a fibra da companheira Dilma, e as provações que ela passou, por uma causa maior, também devem aterrorizar os oligarcas – e seus porta-vozes, a “grande mídia”. Como o Brasil e uma parte da América Latina estão caminhando à esquerda, esse pessoal deve estar com medo de que uma mulher de pulso firme, e muita garra, ir cortando as vantagens e moral deles cada vez mais rápido.

10) Qual a força do presidente Lula na possível vitória da Ministra Dilma Rousseff em 2010?

Toda a força! Com certeza tem algo errado com estas pesquisas. Você só houve o pessoal falar muito bem do nosso presidente – uns o tem quase como um santo. E a população fala que quer continuar vendo o PT na presidência, quer ver a sucessora de Lula governando o nosso país, quer ver uma mulher no poder, ainda mais quando é apoiada por esse ícone da política mundial e brasileira. Não acho correto quando dizem que Companheira Dilma está na “sombra” de Lula. Acho que isto serve para despolitizar o debate. A Companheira tem cacife, história e tamanho para não ficar recoberta pela sombra do nosso presidente. Nosso Companheiro Lula não governou sozinho durante estes sete anos. A ajuda e participação da Futura Presidente do país – Dilma Rousseff – contribuiu muito para o sucesso do governo atual. Mas, é claro, que o Lula é uma referência inigualável de competência, compromisso e honestidade, e os brasileiros e as brasileiras têm muita confiança nele. Certamente essa confiança está toda depositada na Companheira Dilma.

11) Por que você vai votar na Dilma Rousseff, candidata do PT a presidência da República em 2010?

Com tudo que falei antes fica fácil de saber, né? E ainda tem mais. Está mais do que na hora de nosso país ter uma mulher como presidente. Mas não pura e simplesmente isso. Tem que ser uma mulher que tenha coerência política, prática e ideológica. Tem que ser uma mulher que tenha uma grande história de luta – destas histórias que não têm críticas chulas, vulgares, conservadoras e preconceituosas, que consigam manchar seu passado e suas convicções. Tem que ser uma mulher de compromisso com a luta social, compromisso com o povo, que não criminalize os Movimentos Sociais, que não seja privatista e que saiba aliar desenvolvimento com justiça social e sustentabilidade. Tem que ser uma mulher de garra, pulso firme e que não se sinta superior a ninguém. E tem que ser uma mulher PTista. Acho que a Companheira Dilma é isso e muito mais e a nossa nação, sobretudo os mais carentes, terão muito orgulho de tê-la no comando do país. Por isso voto na Dilma.

12) SUAS CONSIDERAÇÕES:

Penso que para quem acredita em um mundo melhor – sem desigualdades, com justiça social, respeito entre os seres humanos e destes com a natureza, não há espaço social que não deva ser ocupado ou conquistado. Não só agora, não só essa hora, mas todos os momentos são de mobilização. Quem acredita nisso tudo deve se conscientizar que não basta sermos a maioria da população de um município, de um estado, de uma nação que quer ver mudanças positivas e profundas na sociedade. Temos que ser maioria organizada. Só a nossa organização na sociedade nos ajudará a acelerar as mudanças que queremos ver. A dinâmica social é uma “queda de braço” constante com diversos setores, e se não estivermos organizados, as mudanças poderão até acontecer, mas demorarão muito, ou não serão do jeito que queremos. O governo Lula está avançando bastante, o apoio popular está ótimo, mas precisamos nos organizar, ainda mais, para ampliarmos a melhoria da situação social brasileira.

Queria agradecer também o convite, me sinto muito honrado por participar desse importante espaço. E dizer que estou a disposição para o que precisarem. Abraços e vamos a Luta!

Saudações Mudancistas, Estudantis, PTistas e Socialistas!

Leno Miranda -
hilheno@yahoo.com.br
PT - Partido dos Trabalhadores - Movimento Mudança – Bahia

"Cresci sob um teto sossegado, meu sonho era pequenino sonho meu. Na ciência dos cuidados fui treinado. Agora, entre meu ser e o ser alheio a linha de fronteira se rompeu."(Waly Salomão - Câmara de Ecos)

Um comentário:

Elinalva Bastos disse...

Gostei muito da sua entrevista. Nossa missão é divulgar o que pensamos e acreditamos; mesmo que pareça pequena a forma como trabalhamos e divulgamos as nossa idéias, é melhor do que calar e ver o mal tentando voltar ao poder.
Abraços