quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Família tucana a serviço de Serra comete crime eleitoral

terça-feira, 19 de outubro de 2010



Depois que a Polícia Federal apreendeu, na véspera, por determinação da Justiça Eleitoral, cerca de 1 milhão de panfletos que pregam voto contra o PT devido à posição favorável à descriminalização do aborto, uma investigação básica provou, de imediato, que a Editora Gráfica Pana Ltda. é de propriedade da empresária Arlety Satiko Kobayashi, irmã do coordenador de infra-estrutura da campanha tucana, Sérgio Kobayashi. Agora a PF apura a suspeita de que a empresa pertence, de fato, a um integrante próximo ao presidenciável José Serra.
Vamos aprofundar essa investigação – garante fonte ligada ao inquérito, na Superintendência da PF do Estado de São Paulo.
O secretário-geral nacional do PT, José Eduardo Cardozo, afirmou que "há indícios veementes" de que os panfletos contra a candidata Dilma Rousseff (PT), apreendidos ontem pela Polícia Federal (PF) em São Paulo, tenham sido feitos pela campanha do tucano José Serra. Segundo ele, 1,1 milhão foi impresso na gráfica Pana Editora. Arlety Satiko Kobayashi detém 50% dos ativos da empresa e é irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de Serra, Sérgio Kobayashi.
Ela é também filiada ao PSDB desde 1991, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e funcionária da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Conforme Cardozo contou em entrevista coletiva convocada para hoje, cerca de 20 milhões de panfletos estavam para ser distribuídos. Além disso, afirmou que a oposição também organizou ações de telemarketing contra Dilma. Cardozo e o presidente do PT paulista, Edinho Silva, afirmaram que os panfletos apreendidos pela PF foram encomendados por Paulo Ogawa. Segundo eles, Ogawa foi nomeado por Serra, em 2000, para trabalhar no Ministério da Saúde.
Paulo Ogawa com expressão facial de inocente disse deconhecer que isso é crime eleitoral e que apenas estava prestando serviço para uma igreja, e pensou que é legal igreja emitir posição política. Ogawa pensa que fazer cara de paisagem pode enganar os outros.
Ao ser flagrado por equipes de reportagens e pelo deputado estadual Adriano Diogo, Ogawa diante das câmeras de TV ocultou que a sócia Arlety Kobayashi é sua esposa, fato confirmado pelo Blog na Assembleia Legislativa.
Procurado pela imprensa, Sérgio Kobayashi, cunhado de Paulo Ogawa, disse apenas que se tratava de “uma coincidência” o fato de a gráfica Pana ter como sócia a irmã dele, ao mesmo tempo que a assessoria da campanha de Serra negava qualquer relação entre o candidato e os panfletos carimbados pela ala à direita da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que não apenas declara o voto para o tucano, mas distribui material anti-Dilma nos meios eletrônico e impresso.
Sérgio Kobayashi esqueceu de dizer que são sócios da gráfica além de sua irma, Arlety, seu sobrinho Alexandre Ogawa, com 50%. Além de seu cunhado e ex-agente de saúde da gestão Serra, Paulo Ogawa que se apresentou como contador da gráfica.
Ao determinar a apreensão, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se baseou em duas hipóteses: ou a publicidade foi feita por uma entidade religiosa (CNBB) ou era anônima. Ambos os casos são proibidos pelas leis eleitorais.



*Celso Jardim


Fonte: http://dilma13.blogspot.com/2010/10/familia-tucana-servico-de-serra-comete.html#axzz12v8WVncC

O CASO DOSSIÊ AMAURY

Enviado por luisnassif, qua, 20/10/2010 – 10:55

Para entender melhor o inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal dos tucanos.

As investigações foram encerradas na semana passada, inclusive com a tomada de depoimento do repórter Amaury Jr por mais de dez horas.

A conclusão final do inquérito foi a de que Amaury trabalhou o dossiê a serviço do Estado de Minas e do governador Aécio Neves – como uma forma de se defender de esperados ataques de José Serra.

Em negociação com o Palácio, a cúpula da Polícia Federal decidiu segurar as conclusões para após as eleições, para não dar margem a nenhuma interpretação de que o inquérito pudesse ter influência política.

No entanto, a advogada de Eduardo Jorge – que tem acesso às peças do inquérito por conta de uma liminar na Justiça – conseguiu as informações. Conferindo seu conteúdo explosivo, aparentemente pretendeu montar um antídoto. Vazou as informações para a Folha, dando ênfase ao acessório – a aproximação posterior de Amaury com a pré-campanha de Dilma – para diluir o essencial – o fato de que o dossiê foi fogo amigo no PSDB.

Neste momento – segundo informações de repórteres de Brasília com acesso a investigadores – discute-se na PF a oportunidade ou não de uma coletiva para colocar as peças no devido lugar.

Aparentemente, a operação de Eduardo Jorge acabou sendo um tiro no pé. A partir de agora, não haverá como a velha mídia ignorar o inquérito e suas conclusões.


Fonte: http://blogdadilma.blog.br/

Os segredos internacionais por trás da “Revolução do Ódio” no Brasil

Mauro Carrara

O PSDB, o partido neoliberal de José Chirico Serra e Fernando Henrique Cardoso, montou ainda em outubro de 2009 um eficiente sistema capaz de disparar diariamente mais de 152 milhões de e-mails para brasileiros de todas as regiões.

Esse sistema é preferencialmente utilizado para disseminar peças de calúnia e difamação contra Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e qualquer figura pública que ouse tomar partido do projeto da esquerda no Brasil. Funcionando também nas redes sociais, essa é uma das principais frentes da “Revolução do Ódio” em curso no país.

Até o primeiro turno da eleição presidencial, havia mais de 650 militantes, quase todos bem remunerados, para difundir material venenoso contra o governo federal. Neste segundo turno, essa super tropa de terrorismo virtual, recrutada por Eduardo Graeff, conta com mais de 1.000 militantes.

Esse, no entanto, é apenas um braço do movimento de golpismo midiático financiado por entidades ultra-conservadoras, sobretudo norte-americanas, empenhadas em desestabilizar movimentos de esquerda pelo mundo e assumir o controle das fontes de riqueza nos países emergentes.

O enigma das “revoluções coloridas”

Há 15 anos, a Internet vem sendo utilizada como ferramenta de sabotagem por esses grupos. Dentre eles, destacam-se o poderoso National Endowment for Democracy (NED), a United States Agency for International Development (USAID) e inúmeras entidades parceiras, como a Fundação Soros.

O NED, por exemplo, financia várias organizações-satélite, como o World Movement for Democracy, o International Fórum for Democratic Studies e o Reagan-Fascell Fellowship Program, que atuam direta ou indiretamente em todos os continentes.

Grupos ligados ao NED, por exemplo, tiveram comprovada atuação nos episódios políticos que desestabilizaram a coalizão de centro-esquerda na Itália, em 2007 e 2008. Acabaram derrubando o primeiro-ministro Romano Prodi e, em seguida, reconduziram ao poder o magnata Silvio Berlusconi.

A ação envolveu treinamento de jornalistas, divulgação massiva de boatos na Internet, dirigidos sobretudo aos jovens, e distribuição seletiva de caríssimos “estímulos” a senadores de centro.

Mas, afinal, o que é o NED?

Criada em 1983, por iniciativa do presidente estadunidense Ronald Reagan, trata-se oficialmente de uma entidade privada, mas abastecida de forma majoritária por fundos públicos.

Ainda que seus dirigentes a qualifiquem como um centro de incentivo à democracia, trabalha sempre no apoio a movimentos de direita, com forte ênfase no liberalismo, no individualismo, no privatismo e no pressuposto de que os interesses do mercado devem prevalecer sobre os interesses sociais.

Segundo o conceituado escritor e ativista norte-americano Bill Berkowitz, do movimento Working for Change, o objetivo do NED tem sido “desestabilizar movimentos progressistas pelo mundo, principalmente aqueles de viés socialista ou socialista democrático”.

O NED e suas entidades parceiras figuram na origem das chamadas “Revoluções Coloridas” que se espalharam pelo mundo nesta década.

A primeira operação virtual-midiática de grandes proporções foi a chamada Revolução Bulldozer, em 2000, no que ainda restava da Iugoslávia.

O nome do movimento se deve ao ato violento de um certo “Joe” (na verdade, Ljubisav Dokic) que atacou uma emissora de rádio e TV com uma escavadeira. Logo, foi transformado num emblema da sedição.

Na época, especialistas em mobilização de entidades financiadas pelo NED concederam apoio técnico e treinamento intensivo aos membros do Otpor, grupo estudantil se tornaria fundamental na campanha de desestabilização do governo central.

Talvez o melhor exemplo desse trabalho de corrosão política tenha ocorrido em 2003, na Geórgia, na chamada Revolução das Rosas, que culminou com a derrubada do presidente Eduard Shevardnadze.

Novamente, havia uma organização juvenil envolvida na disseminação de boatos, denúncias e incitações, a Kmara (Basta!), além de várias ONGs multinacionais como o Liberty Institute.

A Revolução das Rosas não teria ocorrido sem o apoio das associações ligadas ao bilionário húngaro-americano George Soros. A Foundation for the Defense of Democracies, instituto neoconservador com sede em Washington D.C., revelou que Soros investiu cerca de US$ 42 milhões nas operações para derrubar Shevardnadze.

O roteiro se repetiu em vários outros movimentos, como a Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, e a Revolução das Tulipas, no Quirguistão, no ano seguinte.

Levantes dessa natureza ainda têm sido estimulados por esses grupos e seus agentes, que visitam os países-alvo em épocas de crise ou durante processos eleitorais.

Observadores internacionais estimam, por exemplo, que NED e USAID investiram US$ 50 milhões anuais no suporte às entidades que desestabilizaram e derrubaram o governo de Manuel Zelaya, em Honduras.

Nem sempre, porém, as “revoluções“ patrocinadas por essas entidades são coroadas de pleno êxito. É o caso da chamada “Revolução Twitter”, ocorrida na Moldávia, em 2009, e das frequentes operações de terrorismo midiático e virtual desenvolvidas pela oposição venezuelana.

Em todos esses episódios, há um procedimento estratégico que vem sendo seguido pelos grupos de sabotagem. Podemos sintetizá-lo em dez mandamentos operativos:

1) Difunda o ódio. Ele é mais rápido que o amor.
2) Comece pela juventude. Ela esta multiconectada e pode ser mais facilmente mobilizada para destruir do que para construir.

3) Perceba que destruir é “divertido”, ao passo que “construir” pode ser cansativo e chato.

4) A veracidade do conteúdo é menos relevante do que o potencial impacto de uma mensagem construída a partir da aparência ou do senso comum.

5) Trabalhe em sintonia com a mídia tradicional, mas simule distanciamento dos partidos tradicionais.

6) Utilize âncoras “morais” para as campanhas. Criminalize diariamente o adversário. Faça-o com vigor e intensidade, de forma a reduzir as chances de defesa.

7) Gere vítimas do oponente. Questões como carga tributária, tráfico de drogas e violência urbana servem para mobilizar e indignar a classe média.

8) Eleja sempre um vilão-referência em cada atividade. Cole nele todos os vícios e defeitos morais possíveis.

9) Utilize referências sensoriais para a campanha. Escolha uma cor ou um objeto que sirva de convergência sígnica para a operação.

10) Trabalhe ativamente para incompatibilizar o político-alvo com os grupos religiosos locais.

Várias dessas agências internacionais de desestabilização enviaram emissários ao Brasil, especialmente a partir do ano passado.

A ação-teste no Brasil foi desencadeada por meio do movimento “Fora Sarney”, organizado pelo movimento denominado “Rir para Não Chorar”, ou simplesmente RPNC.

Os “indignados moralistas” de direita escolheram o político maranhense como alvo, mesmo depois de tolerá-lo durante 45 anos em instâncias decisórias do país.

O líder da vez era um certo Sérgio Morisson, que se dizia consultor de ONGs e “fashionista”. Na época, vivia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atuando no Comitê de Jovens Executivos.

Na verdade, Sarney serviu apenas como um pretexto de ensaio golpista. O objetivo do grupo era canalizar o ódio da jovem classe média contra o governo Lula.

Distribuíram 50 mil narizes de palhaço, seguindo disciplinadamente a cartilha de simbologia dos movimentos patrocinados pelo NED.

Na verdade, muitos dos “palhacentos” já tinham atuado em outro levante do tipo, o famigerado “Cansei”, que dois anos antes tentara se aproveitar do acidente com o avião da TAM para fomentar uma revolta popular contra o governo federal.

Na presente eleição presidencial brasileira, todo o receituário estratégico e simbólico das revoluções coloridas foi empregado no fortalecimento da candidatura da ex-petista Marina Silva.

A chamada “onda verde”, que impediu a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, foi vigorosamente apoiada por expressivos setores da direita brasileira, inclusive com suporte mal disfarçado de parte da militância oficial do PSDB.

A direita estrangeira e o golpe em curso no Brasil

A principal entidade articuladora da “Revolução do Ódio” no Brasil é o Instituto Millenium (IM), que dispensa apresentações ao leitor da blogosfera.

O IM tem uma fixação especial por Ayn Rand, uma escritora, roteirista e pseudo-filósofa russa que viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos.

Rand defendia fanaticamente o uso de uma suposta razão objetiva, o individualismo, o egoísmo e o capitalismo. Segundo a base de sua “filosofia”, o homem deve viver por amor a si próprio, sem se sacrificar pelos demais e sem deles esperar qualquer solidariedade.

Para os seguidores de Rand, o espírito altruísta cooperativo é visto como fraqueza e como destruidor da energia humana empreendedora.

Rezam pela cartilha de Rand, por exemplo, o articulista de Veja Reinaldo Azevedo e o economista Rodrigo Constantino, membro do Conselho de Fundadores e Curadores do IM, autor de livros barra-pesada como “Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT” e “Egoísmo Racional – o Individualismo de Ayn Rand”.

O conselho editorial do instituto é liderado por Eurípedes Alcântara, diretor da revista Veja, tão conhecido pela barriguda matéria do Boimate (o anúncio da fusão genética do boi com o tomate) quanto por sua devoção fanática pelos Estados Unidos e pelo neoliberalismo radical.

Participante ativo de programas de entidades financiadas pelo NED, Alcântara frequenta simpósios e atividades de treinamento destinadas a impor na América Latina o pensamento da direita corporativa norte-americana.

A Internet ainda exibe uma conversa tão estranha quando reveladora entre o executivo da Editora Abril e Donald “Tamiflu” Rumsfeld, ex-secretário do Departamento de Defesa dos EUA. Segue aqui uma fala entusiasmada do entrevistador.
QUESTION (Alcântara): Yeah, that would be my pleasure. I have been watching close your role in the United States and I must say that I admire you. You are so firm since the beginning. When they said they were going there for the oil and then they said you were going there for your own interests, and then, well, we see democracy spreading throughout the Arab world. This is not a small thing, right?
As relações entre o Millenium e entidades estrangeiras seguem diversas rotas de financiamentos e apadrinhamentos, mas um pouco dessa complexa malha de articulações pode ser visualizada aqui:
http://obicho.wordpress.com/2010/03/08/o-anti-foro-de-sao-paulo-e-o-instituto-millenium-afinidades-electivas/

Hoje, os apoiadores estrangeiros do Instituto Millenium e dos partidos da direita brasileira têm um olho ansioso na eleição e outro faminto na compensação exigida. O principal balconista desse negócio é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recentemente, em Foz do Iguaçu (PR), tentou acalmar sua inquieta freguesia.

Caso José Serra vença o pleito em 31 de Outubro, o pagamento prometido está garantido: a entrega do Banco do Brasil, da Petrobrás e de Itaipu aos patrocinadores da “Revolução do Ódio”. Mais estarrecedor que esse acordo é o silêncio até agora das forças progressistas.

O que falta para se revelar esse segredo ao povo brasileiro?



Fonte: http://blogdadilma.blog.br/

Ambientalistas que estavam com Marina manifestam apoio a Dilma

Alguns dos principais ambientalistas do país que acompanharam Marina Silva no primeiro turno decidiram lançar um manifesto de apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff. O manifesto traz o apoio individual de respeitados dirigentes do movimento socioambientalista ligados a organizações como o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável (FBOMS). O artigo é de Maurício Thuswohl.

Rio de Janeiro – Apesar de a candidata derrotada do PV nas eleições, Marina Silva, ter oficializado no domingo (17) sua posição de “independência” em relação ao segundo turno da disputa presidencial, alguns dos principais ambientalistas do país que a acompanharam no primeiro turno decidiram lançar um manifesto de apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff. O manifesto será lido nesta segunda-feira (18) no Rio de Janeiro, durante o ato de apoio à petista organizado por intelectuais e artistas - comandados por Chico Buarque, Leonardo Boff, Emir Sader e Eric Nepomuceno - no Teatro Casa Grande.

A leitura do manifesto de apoio dos ambientalistas e sua entrega à Dilma serão realizadas por Ivan Marcelo Neves, que é secretário-executivo do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável (FBOMS). Neves, no entanto, esclarece que o manifesto é uma iniciativa individual de cada um dos dirigentes signatários e que o mesmo não trará a assinatura das entidades, organizações ou redes do movimento socioambientalista: “Dentro do FBOMS, por exemplo, existem setores que não são favoráveis a apoiar o candidato A ou B. Vamos respeitar essa diversidade, até porque não houve tempo para uma discussão aprofundada. Por isso, as manifestações de apoio são individuais”.

Mesmo não sendo assinado pelas entidades, o manifesto traz o apoio individual de respeitados dirigentes do movimento socioambientalista ligados a organizações como o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), entre outras, além do próprio FBOMS. Por isso, a divulgação do manifesto logo no dia seguinte ao anúncio da opção de Marina e do PV pela “independência” é vista com muitos bons olhos no comando da campanha de Dilma, que enxerga no documento um importante trunfo para conquistar parte dos votos destinados à candidata verde no primeiro turno.

No manifesto, obtido em primeira mão pela Rede Brasil Atual, os ambientalistas afirmam “assumir com firmeza política” o apoio à Dilma: “Mesmo considerando que o governo Lula não foi tão longe quanto poderia ir na área de meio ambiente, avaliamos como indiscutíveis os avanços deste em relação ao governo anterior, comandado pelo PSDB de Fernando Henrique Cardoso. Consideramos também que a eventual eleição do candidato José Serra representaria um enorme e perigoso retrocesso nas políticas ambientais brasileiras”, diz o documento.

Apesar das críticas ao governo federal, os ambientalistas reconhecem os avanços conquistados pelo país: “Nos últimos oito anos, o Brasil avançou em suas políticas ambientais e se consolidou como um ator de primeira importância nas discussões internacionais sobre temas como mudanças climáticas, proteção à biodiversidade e preservação das florestas, entre outros. Nós avaliamos que as conquistas do país na área ambiental são méritos tanto da gestão de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente quanto da gestão de Carlos Minc, que a substituiu no MMA”, diz o manifesto.

Código Florestal
Além da carta de apoio, o manifesto traz também uma série de propostas que serão levadas à apreciação do comando da campanha de Dilma. Entre elas, destaque para a proposta de “aprofundar junto à sociedade civil e às entidades do movimento socioambientalista as discussões sobre as alterações propostas no Código Florestal e evitar o retrocesso na legislação ambiental atualmente defendido por alguns setores da sociedade representados no Congresso Nacional”.

No total, serão levadas ao conhecimento da candidata do PT vinte e cinco propostas que tratam de temas como mudanças climáticas, desmatamento, biodiversidade, agrotóxicos, transgênicos, conhecimentos tradicionais, bacias hidrográficas, políticas energéticas e licenciamento ambiental, entre outras: “Nós, abaixo assinados, estamos convictos que um governo comandado por Dilma Rousseff terá muito mais condições e vontade política para implementar esse conjunto de propostas _ assim como de fortalecer a participação do movimento socioambientalista na elaboração e implementação das políticas públicas ambientais _ do que um governo de José Serra”, afirma o manifesto.

Propostas
Logo após o anúncio da posição de Marina Silva e do PV, alguns ambientalistas que agora declaram apoio à Dilma chegaram a hesitar em apresentar uma pauta de reivindicações ao comando da campanha petista, uma vez que a ex-ministra do Meio Ambiente já havia feito o mesmo. Ao final, no entanto, prevaleceu a visão de que uma mera declaração de apoio sem a inclusão de propostas passaria a impressão de pouca consistência política.

“Entre as propostas apresentadas pelo PV, foi o PT o partido que mais apresentou concordâncias neste segundo turno das eleições. Nós ambientalistas não estamos colocando nada do que já não tenhamos pautado o atual governo e outros governos. Estas são as reivindicações dos ambientalistas. Devemos tê-las sempre, pois isso demonstra que somos coerentes em qualquer situação”, diz Ivan Marcelo Neves.



Fonte: http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17080

Os riscos do obscurantismo

19/10/2010

Por Emir Sader
O aspecto mais grave da atual campanha eleitoral é o apelo ao obscurantismo como arma política. Quando tinha se configurado – segundo as cada vez mais questionadas pesquisas – uma maioria em torno de um projeto geral para o país, a oposição tratou de – como disse muito bem uma analista – encontrar um atalho para falar ao povo de outra maneira, buscando deslocar a temática central, em que estaria sofrendo derrota clara.

Foi a tentativa de encarar o tema do aborto sob a ótica mais retrógrada. Justo um partido que se pretendia ilustrado, apelou para as forças mais retrógradas, para tentar explorar os sentimentos mais conservadores de setores significativos da população.

Um avanço da modernidade foi a separação republicana entre a esfera pública e a esfera privada, entre as opções que se referem à privacidade e à liberdade de cada um e aquelas que se referem aos direitos de todos. Ninguém é obrigado a ter uma religião determinada ou mesmo ser religioso, mas todas as formas de expressão religiosa são admitidas e protegidas.

O tema do aborto se prestou para a virada conservadora nos EUA e no mundo. Depois de longa luta, o movimento feminista conseguiu aprovar o direito ao aborto, em diferentes níveis e versões. Em um país como a Itália, por exemplo, se tinha conseguido aprovar, em referendos nacionais, tanto o divórcio, como o aborto, apesar da oposição do governo Democrata Cristão e do Vaticano. Era uma conquista positiva o direito da mulher de dispor do seu próprio corpo e da sua reprodução.

A virada conservadora tratou de inverter as coisas, reivindicando “a vida” contra o aborto, criminalizando os que pregavam o aborto e inclusive os que o praticavam. Tentava-se impor crenças de algumas religiões sobre os interesses gerais. É a lógica dos Estados fundamentalistas – islâmicos ou sionista -, em que não existe o principio republicano da igualdade diante da lei, substituída pelo privilegio da religião dominante. É uma lógica retrógrada, que faz da religião fator de desigualdade, abolindo o caráter laico e republicano do Estado moderno.

Foi nessa onda conservadora que praticamente todos os cargos importantes da Justiça norteamericana foram mudados numa direção conservadora, em que o financiamento das escolas religiosas aumentou exponencialmente às custas das escolas privadas.

A ofensiva gigantesca do Vaticano contra a Teologia da Libertação liquidou uma corrente popular de grande aceitação no mundo católico, facilitando o avanço dos evangélicos e da corrente carismática dentro do catolicismo – ambas com viés fortemente conservador.

Os preconceitos religiosos sempre foram utilizados em campanhas eleitorais brasileiras, seja para tentar a eleição de candidatos laicos, seja para promover a eleição de bancadas de religiosos. Mas, pela primeira vez, pode ser um aspecto decisivo para definir a eleição presidencial, com conseqüências desastrosas para a democracia e o caráter republicano do Estado.

Uma candidatura como a de José Serra, que era dada como morta, de repente se vê guindada ao segundo turno, pelos votos de outra candidata – Marina da Silva -, e sem programa a propor, lança-se a tentar ganhar de qualquer maneira, apelando para o as calunias e a exploração conservadora dos sentimentos religiosos de uma parte da população.

O que está em jogo não são apenas duas candidaturas: é se o projeto de diminuição – pela primeira vez – das desigualdades e da injustiças no Brasil terá continuidade e aprofundamento ou se será brecado e um governo similar aos dos anos 90 voltará ao governo, com os riscos de obscurantismo, repressão, entreguismo e outros tantos retrocessos.


Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=578

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Manifesto de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos em favor da Dilma

Nós – Engenheiros, Arquitetos, Agrônomos, Urbanistas, Geólogos, Geógrafos, Técnicos Industriais e Agrícolas – signatários deste documento, vimos manifestar todo nosso apoio à eleição DILMA PRESIDENTE. Em 8 anos (2003-2010) de Governo, Lula e DILMA criaram as condições para um novo ciclo de desenvolvimento econômico, com sustentabilidade ambiental e social.

Apoiamos Dilma por que:

1º) Lula e Dilma criaram o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, que a partir de 2007 garantiu investimentos nas áreas energética (Luz Para Todos, hidrelétricas, energia eólica, petróleo etc), logística (portos, aeroportos, ferrovias, malha rodoviária etc) e infra-estrutura social e urbana (habitação, saneamento, drenagem etc), com R$ 656,5 bilhões em investimentos;

2º) Dilma e Lula implantaram o programa Minha Casa Minha Vida, o maior programa de produção habitacional da história, garantindo o direito à moradia digna e o reaquecimento da cadeia produtiva da construção civil;

3º) Lula e Dilma trabalharam pelo investimento de R$ 168,24 bilhões em habitação (repasses e financiamentos), elevando a níveis recordes o crédito imobiliário no país e beneficiando, entre 2003 e 2010, mais de 4 milhões de famílias;

4º) Dilma e Lula implantaram um novo modelo de geração e distribuição de energia elétrica, pelo qual a menor tarifa é o critério básico para a licitação de novos empreendimentos, incentivando adoção de fontes renováveis de geração de energia, através de implantação parques eólicos, usinas de geração de biomassa e construção de novas hidrelétricas;

5º) Lula e Dilma duplicaram o número de vagas nos ensino técnico e tecnológico e nos cursos universitários;

6º) Dilma e Lula ampliaram e recuperaram as rodovias (mudando a modelagem dos contratos), duplicaram a malha ferroviária com a conclusão da ferrovia Norte – Sul, Transnordestina e com a licitação da construção da novas ferrovia Leste – Oeste;

7º) Lula e Dilma ampliaram a assistência técnica aos agricultores rurais e iniciou a implantação da Engenharia e Arquitetura Pública nos assentamentos Urbanos;

8º) Dilma e Lula implantaram o microcrédito rural, para famílias com renda bruta anual de até R$ 2 mil e ampliaram o seguro safra para a agricultura familiar;

9º) Lula e Dilma incentivaram o renascimento da indústria naval brasileira com a construção da platafoma P – 50 por estaleiros brasileiros e com exigência do conteúdo nacional nas compras da PETROBRAS;

10º) Dilma e Lula instituíram o novo marco regulatório nas exploração do Petróleo, garantindo recursos futuros para investir na educação e melhoria das condições de vida de todos os brasileiros;

11º) Lula e Dilma incentivaram a produção de biodiesel e aprovaram a obrigatoriedade de mistura do biodiesel (na proporção de 2%, com avanços até 5%) ao diesel tradicional, criando mercado interno de 800 milhões de litros/ano e beneficiando 250 mil famílias;

12º) Dilma e Lula realizaram concurso público para preenchimento de vagas na área tecnológica em Empresas Estatais, Universidades, Instituto Federais de ensino tecnológico, nas empresas de pesquisas e em órgãos públicos, entre outros;

13º) Lula e Dilma, com as políticas econômicas e sociais do Governo Federal, proporcionaram que 30 milhões de brasileiros ingressasem na classe média e 20 milhões deixassem a linha da miséria.

Votamos em *DILMA* porque ela demonstrou, na prática, compromisso com o setor e com os profissionais da área tecnológica do Brasil.

1. Arquiteto Oscar Niemeyer

2. Engenheiro Civil Ubiratan Felix dos Santos – Presidente do SENGE/BA

3. Arquiteto e Urbanista Jorge Fontes Hereda – Vice Presidente da CAIXA

4. Engenheiro Agrônomo Marcelino Galo – Diretor do SENGE-BA / Deputado Estadual Eleito PT-BA

5. Geólogo Pedro Ricardo Moreira – Diretor Geral IMA

6. Engenheiro agrônomo Joseildo Ramos – Deputado Estadual PT-BA

7. Engenheiro agrônomo Gerson Bittencourt – Deputado Estadual PT-SP

8. Engenheiro agrônomo Lindsley Rasta – PV-PR

9. Secretário de Transporte de Guarulhos/SP José Evaldo Gonçalo

10. Engenheiro Eletricista Vicente Trindade – Vice presidente FISENGE

11. Engenheiro civil Luis Edmundo – Empresário Vitória da Conquista/BA

12. Engenheiro Eletricista Haroldo Lima – Ex- Deputado Federal PCdoB-BA / Presidente da ANP

13. Arquiteto Zezéu Ribeiro – Deputado Federal PT-BA

14. Engenheira Civil Maria Del Carmem – Deputada Estadual PT-BA

15. Engenheiro Agrônomo Joseildo Ramos – Deputado Estadual PT- BA

16. Engenheiro Civil Marcelo Nilo Deputado Estadual PDT-BA

17. Ricardo Marques – Vice – Prefeito de Vitoria da Conquista-BA

18. Geólogo Manoel Barreto – Diretor da CPRM

19. Engenheiro Fernando Freitas – Presidente do SENGE-PE

20. Engenheiro Fernando Jogaib – Vice – Presidente do SENGE- Volta Redonda

21. Engenheiro Eletricista Olimpio Santos – Presidente do SENGE-RJ

22. Engenheiro Eletricista Nilo Gomes – Presidente do SENGE- MG

23. Engenheiro Agrônomo Carlos Bittencourt – Presidente da FISENGE

24. Engenheiro Civil Sebastião – Presidente do SENGE – ES

25. Engenheiro Civil Fernando Fiorotti – Presidente do CREA-ES

26. Engenheiro Civil Gilson Nery – Diretor da FISENGE

27. Engenheiro Civil Rosivaldo – Presidente do SENGE-SE

28. Engenheira Agrônoma Almeria – Ex- Presidente do SENGE-PB

29. Engenheiro Eletricista Ezequiel – Vice – Presidente do SENGE – RO

30. Engenheiro Agrônomo Jonas Dantas – Presidente do CREA-BA

31. Geólogo Argemiro Garcia – Presidente da ABG

32. Ângelo Marcos Arruda – Presidente da FNA

33. Engenheira de Alimentos Márcia Ângela Nori – Vice – Presidente do SENGE-BA

34. Engenheiro Civil Mário Gonçalves Viana Junior – Diretor do SENGE/BA

35. Geólogo Renato Santos Andrade – Diretor do SENGE-BA

36. Arquiteta e Urbanista Eleonora Lisboa Mascia –Vice-presidente do SINARQ/BA

37. Arquiteta e Urbanista Jandira França – Presidente do SINARQ/BA

38. Arquiteta e Urbanista Aida Bittencourt – Diretora do SINARQ/BA

39. Urbanista Glória Cecília Figueiredo – mestranda do PPG-AU/UFBA

40. Arquiteta e Urbanista Laila Mourad – Doutoranda do PPG-AU/UBA

41. Inês Magalhães – Secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades

42. Arquiteto Cid Blanco – Ministério das Cidades

43. Arquiteto e Urbanista Antônio César Ramos –Ministério das Cidades

44. Engenheira Civil Lucy Carvalho –SINDUSCON

45. Gilberto Aguiar – Coordenador Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia

46. Engenheiro Agrônomo Aroldo Andrade – Diretor do SENGE-BA

47. Engenheiro Mecânico Pedro Rocha – INGÁ

48. Engenheiro Agrônomo José Leal do INCRA

49. Nelson Baltrusis – Prof do Mestrado em Planejamento Territorial – UCSal

50. Engenheira Agrônoma Fernanda Silva –Vice Prefeita de Uruçuca

51. Engenheiro Agrônomo Nilton Freire – Diretor do SENGE-BA

52. Arquiteto Daniel Colina – Presidente do IAB/BA

53. Engenheiro Eletricista Orlando Andrade

54. Ramiro Cora – Confederação Nacional das Associações de Moradores

55. Gilberto Gegê – Coordenador do Movimento em defesa do Trabalho e da Moradia

56. Engenheiro Civil Enock Ferreira dos Santos Filho

57. Engenheiro Civil José Fidelis Sarno – Ex- Presidente do SENGE-BA

58. Engenheiro Agrônomo Josias Gomes- Deputado Federal PT-BA

59. Arquiteta Bianka Rocha – Secretaria Estadual de Meio Ambiente-BA

60. Engenheira Civil Cláudia Júlio – Prefeitura Municipal de Belo Horizonte

61. Engenheiro Civil Marcos Ferreira Pimentel- Conselheiro do CREA-BA

62. Engenheiro Civil Paulo Gustavo C. Lins – UFBA – BA

63. Arquiteto Urbanista Javier Alfaya – Dep. Estadual PC do B-BA

64. Arquiteta Lelia Maria Dias

65. Arquiteta Maria Auxiliadora Machado

66. Engenheira Florestal Ana Paula Dias – IMA

67. Engenheiro Agrônomo – Ruy Murici – SEMA

68. Engenheiro Civil Areobaldo Aflitos – Professor da UEFS

69. Engenheiro Eletricista Ciro Ferreira Aragão – FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS/RJ

70. Engenheiro Agronômo Luiz José Lira- CDA

71. Engenheiro Agronômo Luis Anselmo –CDA

72. Engenheiro Eletricista Joel de Souza Miranda Filho, Projetista Autônomo

73. Geólogo Manoel Barretto, Diretor de Geologia da CPRM-SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL.

74. Engenheiro de Minas Miguel Sobral – DNPM

75. Arquiteto e Urbanista Itamar Costa Kalil

76. Arquiteta Marilene Lapa - Prefeitura Municipal de Ilhéus

77. Engenheiro Civil Sidney Siqueira – Segurança no Trabalho- ICCE-RJ

78. Engenheiro Civil Luciano Silveira – Segurança do Trabalho, Professor UVA/Cabo Frio e Engenheiro FW Engenharia.

79. Adm.Empresas/Tec.Mecanico – Rogerio Sarti- Empresário – Cabo Frio/RJ

80. Arquiteto Canagé Vilhena- RIO/RJ

81. Engenheira Eletricista Marisa Coeli Britto Cunha Reis – BA

82. Arquiteto Ary Pascoal Domingos

83. Engenheiro Ambiental Cesar Aparecido dos Santos

84. Engenheiro Agrônomo Paulo Medrado – EBDA

85. Arquiteto e Urbanista Ricardo de Gouvêa Corrêa

86. Engenheiro CivilJosé Roberto Pedreira Franco Celestino- CEPRAM/ABES-BA

87. Arquiteta e Urbanista Inês El-Jaick Andrade – Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Oswaldo Cruz (RJ)

88. Engenheiro Eletricista / Biólogo – Sergio Govea

89. Engenheiro Civil Anesio Miranda – Ex- Presidente do Clube de Engenharia da Bahia

90. Engenheiro Eletricista – José Urano Santana Bomfim – CHESF

91. Engenheira Civil Evalda Maria Pichani Celestino

92. Geólogo Aroldo Misi – Prof. Titular da UFBA

93. Geólogo Haroldo Sá – Prof. Associado da UFBA

94. Geólogo Maria da Glória da Silva – Profa Associada da UFBA

95.Geólogo Washington Franca Rocha – Prof. Titular da UEFS

96. Geólogo Dante Giudice – CBPM

97. Engenheiro Mecânico Pedro Rocha – INGÁ

98. Arquiteta e Urbanista – Maria Luiza Petitinga Lima – CONDER

99. Sandra Denise Pereira – Caixa Econômica Federal

100. Engenheiro Civil Márcio Reis de Jesus – Caixa Econômica Federal

101. Engenheiro Agrônomo Valmir Macedo – Itaberaba

102. Arquiteto Valter Carvalho – Itabuna

103. Engenheiro Agrônomo Paulo Medrado – Itamaraju

104. Engenheira Civil Nelma Moraes – Vitoria da Conquista –BA

105. Engenheiro Civil – Marcelo Evangelista

106. Engenheiro Químico Luis Henrique – Diretor do INGÁ

107. Arquiteta Ana Fernandes- Prof. titular FAU-UFBA

108. Engenheiro agrônomo Jerônimo Rodrigues – Prof. UEFS

109. Arquiteta Ana Fernandes – Prof. Titular FAU/UFBA

110. Engenheiro Químico Castor Filho – Aposentado

Amigos,

O MANIFESTO DEVERÁ SER REPASSADO POR INTERNET, E DEPOIS LANÇADO EM MEIO FÍSICO EM ATO NACIONAL, É RECOMENDADO QUE SEJA REALIZADO ATOS ESTADUAIS E LOCAIS DE LANÇAMENTO ENVOLVENDO PERSONALIDADES DO SETOR TECNOLOGICO E POLÍTICO LOCAL.

Quem concordar com o conteúdo favor INDICAR MODALIDADE DA ENGENHARIA E/OU ARQUITETURA – NOME – ENTIDADE OU INSTITUIÇÃO – ESTADO e enviar para o email emilylaurentino@yahoo.com.br

O Lançamento do Manifesto será dia 18 de outubro no Bar 30 segundos na Rua Ilheús 20 -Rio Vermelho – Salvador -BA

ATENCIOSAMENTE,

Engenheiro Civil UBIRARATAN FELIX

COLOCANDO NA BALANÇA: LULA X FHC (cartaz muito bom)




EM 2010 COMO EM 2002



INTELIGÊNCIA BRASILEIRA SE UNE CONTRA O CAROLA GABOLA
Hoje às 20 horas no Rio, intelectuais e artistas dizem não ao candidato que se diz 'o mais preparado'

Em 1 de setembro de 2002, 300 artistas e intelectuais reuniam-se no Rio de Janeiro para manifestar seu apoio ao então candidato à Presidência da República pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Serra, o adversário, ontem como hoje, se definia como mais 'preparado'. Lula, acusava ele, 'nunca havia sido eleito para um cargo público administrativo'. Passaram-se oito anos. Os resultados esfarelam o discurso do medo e do preconceito, mas Serra mantem o mesmo bordão contra Dilma, agora misturado com água benta para digerir melhor. O carola gabola, a exemplo do que ocorreu em 2002, porém, é repudiado maciçamente pela inteligência nacional.(leia o manifesto dos artistas e intelectuais, bem como o dos professores universitários, o dos filósofos e os atos previstos para os próximos dias em apoio a Dilma Rousseff).

E vamos à luta!

Há uma agenda imposta, cuidadosamente escolhida, destinada a enfraquecer a candidatura de Dilma Rousseff por ser representante de uma política de recuperação da soberania nacional, de valorização do trabalho e da produção e da integração dos povos da América Latina e do sul num novo equilíbrio mundial, sem vassalagem aos centros imperiais. A agressividade dessa caudalosa ação midiática para demolir a imagem da candidata, acusada de bandida, terrorista, assassina, incompetente, inexperiente, contrária aos valores da família, da ética, e da vida, é encontrada também em vários outros momentos da história do Brasil. O artigo é de Beto Almeida.


A frágil democracia brasileira, que ainda precisa ser consolidada, está sendo alvo, uma vez mais, de um golpismo midiático comandado pelas forças conservadoras a serviço das oligarquias internacionais. Não se trata apenas de baixaria, de central de boatos, de retrocesso temático por uma característica da sociedade brasileira. Trata-se de uma agenda imposta, cuidadosamente escolhida, destinada a enfraquecer a candidatura de Dilma por ser representante de uma política de recuperação da soberania nacional, de valorização do trabalho e da produção e da integração dos povos da América Latina e do sul num novo equilíbrio mundial, sem vassalagem aos centros imperiais.

A agressividade da caudalosa ação midiática para demolir a imagem de Dilma Roussef, acusada de bandida, terrorista, assassina, incompetente, inexperiente, contrária aos valores da família, da ética, e da vida, é encontrada também em vários outros momentos de nossa história em que o Brasil estava, como agora, decidindo-se por um projeto político em que se afirma como Nação Soberana, contra o outro projeto, destinado a preservar os interesses sórdidos das oligarquias internacionais que vivem da rapina aos povos da periferia do mundo.

Foi exatamente assim, com esta mesma ferocidade, com o rancor mais faccioso, com argumentos fascistas, que as forças conservadoras lançaram-se na campanha histérica para tentar impedir, nos anos 50, que Vargas levasse adiante seu projeto de nacionalização do Petróleo e criação da Petrobrás, bem como da Vale do Rio Doce, do BNDES. “ Não me acusam, me insultam; não combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes”. Trecho da Carta Testamento de Vargas.

Dilúvio de calúnias: supressão do debate democrático
Com todo este dilúvio de mentiras, calúnias e ofensas, pretendem impedir que a campanha eleitoral seja o palco democrático iluminado e claro para a comparação civilizada e sensata de propostas, dos projetos defendidos por um e outro candidato. Até grupamentos neonazistas foram convocados para esta fraude informativa. O que se quer é uma invisibilidade da verdadeira pauta democrática sobre os rumos do Brasil, com o que as propostas nem sequer são conhecidas em profundidade, obscurecidas e escondidas sob uma nuvem de desinformação, manipulação e falsificações sem qualquer limite, repetida em uníssono pelos grandes veículos de comunicação, rigorosamente controlados pelos magnatas do setor. Pretendem confundir o povo. É uma articulação que tem o alcance de um golpe midiático!

Como ocorria contra Vargas, quando a artilharia pesada dos meios de comunicação comandados pelo capital externo não admitia que o Brasil tivesse soberania sobre suas riquezas naturais nacionalizada. Para impedir que o governo varguista continuasse valorizando o trabalho, os direitos trabalhistas e avançasse na criação da Eletrobrás, já anunciada, desataram a venenosa campanha do “mar-de-lama no Catete”, organizando a deposição do Presidente da República, que optou por derrotar o golpe com um tiro no próprio coração. A campanha midiática de então era, como agora, pautada em um moralismo histérico, rudimentar, anti-histórico, perigosamente fanático, descontextualizando fatos, usando abertamente de mentiras, invenções e meias verdades. Como nas medievais caça às bruxas... Mas, o objetivo é um só: impedir a discussão verdadeira e o objetiva dos problemas nacionais, dos problemas do nosso povo, confundí-lo, em favor dos interesses internacionais.

Agora, usando de outros ingredientes e das novas e velhas tecnologias de comunicação, estas mesmas forças imperiais, controladoras da grande mídia por meio do garrote dos anunciantes, quer impedir a continuidade de uma política que está livrando o país das imposições do FMI, reconstruindo a Telebrás, renacionalizando a Petrobrás, e, além disso, dotando o Brasil de uma estratégia nacional de defesa, indispensável num mundo marcado pelo intervencionismo dos fortes contra os fracos..

"Esse mar é meu, leva esse barco pra lá desse mar..”
Para que se tenha um exemplo claro do efeito causado por este dilúvio midiático para desviar e impedir a visão sobre fatos importantes, quase não foi divulgada a decisão recente do governo de ampliar sua fronteira marítima, incorporando mais 960 mil km2 a zona de soberania nacional do mar. A medida é de importância transcendental, sobretudo pela descoberta do pré-sal, mas também em razão do perigoso jogo de poder mundial em que nações imperialistas lançam-se com voracidade ilimitada, com o uso da força militar quando necessário, à rapina das riquezas naturais em qualquer parte do planeta onde imaginam ser possível tomar. Um fato de tal dimensão não é ainda , provavelmente, do conhecimento da grande maioria do povo brasileiro, mas, certamente, serviu para aguçar ainda mais o ódio nos malignos laboratórios imperiais contra a política implementada por Lula e que Dilma pretende continuar, com o apoio dos brasileiros.

Trata-se de uma decisão não isolada, mas vinculada ao conjunto de políticas desenvolvidas pelo governo. Vale dizer que Dilma Roussef, embora estivesse presa, nos anos 70, teve a sabedoria e a objetividade de apoiar a decisão do governo militar de então, de ampliar o mar territorial brasileiro para 200 milhas, medida que provocou o rechaço de várias potências imperiais. Será que os militares nacionalistas sabem disto? Na atualidade, a nova expansão de nossa soberania sobre o mar está vinculada à recuperação da indústria naval – demolida pela era da privataria - ao apoio ao projeto do submarino nuclear, ao reequipamento da Marinha Brasileira - que também foi desarmada pelos privateiros amigos de FHC/Serra - e a decisão de ampliar o controle estatal sobre o petróleo, incluindo o pré-sal. Será que os militares preferem apoiar um candidato comprometido com o desarmamento unilateral do Brasil? Um candidato que participou da entrega da Embratel às mãos de uma empresa norte-americana, com o que informações estratégicas, inclusive de segurança nacional, passaram às mãos dos órgãos estrangeiros? Sem contar a possibilidade técnica real de promoverem um apagão satelital contra o Brasil? Houvesse jornalismo independente hoje no Brasil seria boa pergunta se fazer ao Serra....

O dilúvio midiático golpista quer evitar que estes temas sejam discutidos democraticamente, no que logra-se êxito já que todos os grandes veículos estão controlados pelos interesses internacionais, enquanto que as forças populares e progressistas ainda não organizaram, até hoje, um veículo de comunicação de expressão de massas, nacional, regular, com capacidade para fazer o contraditório e quebrar a monolítica linha editorial conservadora. Ainda não temos o nosso “Última Hora”.

Golpismo midiático
O golpismo midiático que se aplica agora contra a candidatura de Dilma Roussef foi também aplicado contra Jango. Os veículos de comunicação que pediam em editoriais histéricos a intervenção militar contra a suposta “república sindicalista”, chegaram a proclamar a “vacância da presidência da república”, quando Jango estava em território nacional e possuía a legitimidade que lhe fora dada pelos eleitores.

Não há razoabilidade contra o pensamento golpista. Serra utiliza-se desta linha facciosa de argumentação nos debates e em sua propaganda eleitoral. Perguntou a Dilma sobre a dívida da Santa Casa, parentando preocupação com exigüidade de recursos aplicados em saúde, como se não fora seu partido e as demais forças conservadoras os responsáveis pela extinção do CMPF, sangrando o orçamento da saúde de uma só vez, em cerca de 40 bilhões ano.

A mais recente privatização de Serra
Tenta excluir-se do time dos privateiros, mas o exemplo mais recente de sua vasta lista de internacionalização do patrimônio público, é a nefasta privatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, promovida pelo Governo Serra, ocorrida em 2008. A estatal era avaliada em 16 bilhões de reais, e foi doada pela bagatela de 1,6 bilhão a uma empresa colombiana, controlada por acionistas norte-americanos. Detalhe: em menos de um ano de operação, com alta radical e artificial de tarifas, redução de investimentos e dos serviços de operação , precarização dos serviços, apagões e demissão em massa, a empresa arrecadou quase um bilhão de reais em lucro, quase o valor obtido na venda. Gravíssimo: no edital de privatização desta empresa constou cláusula que impedia a participação de empresas estatais brasileiras, pois havia o interesse da paranaense Copel e da mineira Cemig na sua compra. Pelo edital, um estímulo à internacionalização.

Profissão: golpista
O único argumento que as ações golpistas temem e consideram é aquele que vem acompanhado pela presença de massas nas ruas! Vale lembrar que no episódio da chamada crise do mensalão, quando toda a orquestração midiática estava destinada a alcançar de Lula a renúncia à uma nova candidatura, ou até mesmo recorrer à alternativa do “impeachement”, o que fez esta gente recuar foi o anúncio do presidente de que iria defender seu mandato nas ruas. “Não vou suicidar como Vargas, não vou renunciar como Jânio, não vou sair do País como Jango, vou defender o mandato popular nas ruas!”, disse ele. Foi isto o que levou a oposição conservadora a vacilar e a recuar de sua sanha golpista de então, sempre lembrando que todos os governos populares estão sempre na alça da mira do golpismo. É um golpismo permanente, uma conduta sistemática das oposições conservadoras. Queriam aplicar em Lula aquela fraseologia facciosa de Carlos Lacerda lançou contra Vargas. Dizia: “ele não pode ser candidato. Se for, não pode vencer as eleições. Se vencer não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar, teremos que derrubá-lo”. Ou seja, profissão, golpista. E tudo isto era apoiado pelos clarins da banda midiática da UDN, que chegaram a “noticiar” que no Brasil não existia petróleo a não ser na mente delirante de Vargas.

A força das ruas
Sendo assim, é chegada a hora de convocar novamente o povo a fazer história nas ruas. E com uma enorme onda unitária verde-amarela, não onda vermelha apenas. As eleições estão ameaçadas por um dilúvio midiático de falsificações e calúnias, mas com o sentido e o alcance de um golpe contra o exercício do direito democrático por meio do voto popular! Reiteramos: não é apenas estilo torpe, fanatismo ou baixaria. Trata-se de uma intervenção planejada para demolir uma candidatura não por meio do debate de propostas e de idéias. Tentaram contra Evo Morales, taxando-o de “narcopresidente”! Contra Pepe Mujica no Uruguay, chamando-o de terrorista! Também contra Cristina Kirchner, igualmente chamada de bandoleira, terrorista e guerrilheira. Transmissões de rádio captadas mostravam mensagens militares orientando sua eliminação física. Agora, contra Rafael Correa, no Equador, nas mensagens de rádio captadas havia incentivos militares ao assassinato do presidente eleito, jamais perdoado pela recuperação da soberania sobre a Base de Manta, antes controlada por forças militares norte-americanas.

Toda esta agressividade midiática para demolir a imagem de Dilma indica que estas forças reacionárias controladas pelo capital externo interessado em abocanhar o petróleo Pré-Sal, não perdoarão Lula e a candidata pelas medidas de recuperação da soberania nacional, muito embora ainda haja tanto a caminhar. A operação midiática incluiu a valorização da candidatura Marina Silva para assegurar o segundo turno. Sobretudo, influenciando para que na proposta dos verdes incluam-se, por exemplo, pontos programáticos que afirmam ser indiferente se o capital é nacional ou internacional, desde que seja ecológico na aplicação. Será realmente indiferente, por exemplo, no petróleo Pré-Sal, que o capital seja nacional ou internacional?

Unidade, unidade, unidade
Embora havendo semelhanças com o golpe organizado contra Vargas, por sorte, há indicativos de que todas as forças progressistas caminham para uma unidade e para uma linha ação em defesa da continuidade, manutenção e aprofundamento das conquistas alcançadas pelo governo atual. Não se espera que haja , por exemplo, repetição do equívoco histórico cometido pelos comunistas que, no dia 24 de agosto de 1954, em manchete de seu jornal , o Tribuna Popular, reivindicavam a renúncia de Vargas, tal como exigia a direita nacional, teleguiada pelo grande capital internacional. Morto Vargas, a explosão de fúria das massas não poupou sequer as instalações do jornal dos comunistas, bem como a Tribuna de Imprensa, O Globo e o consulado dos EUA. De tal sorte que, segundo relato dos próprios comunistas, a direção do PCB mandou recolher das bancas os exemplares do jornal que pedia a renúncia de Vargas em coro com as forças conservadoras. Na recente crise criada pela tentativa de golpe no Equador, um dos movimentos sociais mais importantes chegou a solicitar a renúncia de Rafael Correia, revelando perda de visão de conjunto sobre as ações permanentes do imperialismo para desestabilizar e inviabilizar qualquer governo que contrarie seus interesses vitais.

Há indicativos de que uma ampla frente popular está sendo forjada até mesmo pela compreensão de que esta campanha conservadora tem dimensões golpistas, levando à necessidade de alerta máximo das forças progressistas para a eventualidade de ter que prevenir e enfrentar novas ações desestabilizadoras, com muito maior truculência, que não podem ser descartadas. É da história. Isso por que, como visto, os interesses em jogo no processo eleitoral brasileiro são de uma dimensão infinitamente gigantesca, não apenas mais um simples pleito, e podem decidir ritmos e prazos do processo histórico de integração latinoamericana e sul-sul, com plena independência dos interesses e ações imperiais.

“Verás que um filho teu não foge à luta”
Devemos ter uma mobilização à altura dos direitos do povo brasileiro em seguir sua caminhada para um processo de emancipação. Só nas ruas, com responsabilidade, criatividade e argumentação inteligente poderemos alcançar os indecisos, os confusos, os milhões e milhões que se abstiveram de votar, os que ainda acham que todos os candidatos são iguais e fazer a comparação democrática e respeitosa dos projetos em jogo. Se não temos jornais, se todos os jornais são contra nós, temos que inventar formas de produzir publicações e levar informações claras e elucidativas sobre o que está em risco em função deste golpismo midiático.

É hora de honrar os millhões que se manifestaram em 1954 quando Vargas foi levado à morte e paralisaram o golpe que vinha. E hora de relembrar as lutas estudantis, de imbuir-se do espírito das Ligas Camponesas, de entoar novamente as trilhas e roteiros das Diretas Já. É hora de lembrar a Carta Testamento de Vargas, de cantar com toda a energia o verso do Hino Nacional que diz “Verás que um filho teu não foge à luta”. Ou, aquela linda canção de Gonzaguinha “E vamos à luta!”, com a qual termino

“Eu acredito é na rapaziada,
Que vai em frente e segura o rojão.
Eu tenho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta é com a juventude
Que não corre da raia em troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não está na saudade e constrói a manhã desejada!

Gonzaguinha

(*) Beto Almeida é jornalista



Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17073

A santíssima trindade dos homens de bem

A canalhice eleitoral também pode ser cruel e humilhante, quando adiciona à degradação do corpo político a desordem das idéias. Às vezes, para sorte dos náufragos, o processo é lento, de se medir em anos. Outras vezes, tem a perversão da rapidez e produz em suas vítimas súbita metamorfose. Esta velhice, a mais sofrida para quem dela padece e a mais chocante para quem a vê, abateu-se sobre a candidatura Serra.

A versão global-carismática da desmodernização brasileira parece não conhecer limites. Na disputa política, o "iluminismo tucano" tem levado o candidato do PSDB a ficar muito parecido com tudo que ele, em seu passado como homem de esquerda, rejeitava como lixo. Os dois fenômenos, o da fé mercantilizada e o da política dessecularizada, tornaram-se imbricados, um aprendendo a usar os recursos do outro para alavancar os seus projetos que guardam inequívoca afinidade eletiva. É assim que a oposição fabrica um "homem de bem".

Se acrescentarmos ao quadro dantesco a Justiça Eleitoral usada como instrumento de poder, veremos o quanto está ameaçada a legitimidade da representação popular, sem a qual não existe democracia. Estaríamos assistindo à implantação no país de uma justiça de gabinete, considerada pelo pensamento jurídico mundial a forma mais infame de prepotência principesca? Este é o projeto demotucano? Oremos todos.

A temperatura da campanha, agitada com os debates entre os candidatos e a demonização do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH), nos obriga a retroceder no tempo para lembrar ao eleitor de classe média a tessitura do retrocesso em andamento. É interessante retornar a 2001, para aquilatarmos alguns dados e falas esquecidas.

Há nove anos, Márcio Pochmann, fazia uma precisa radiografia do desemprego e da precarização do trabalho, que assolava a economia brasileira(*). O autor apresentava quais os principais elementos que asseguravam a (triste) presença do Brasil no pódio, como um dos campeões do desemprego em escala mundial. Em suas palavras: "Em 1999, por exemplo, o Brasil ocupou o terceiro lugar no mundo em desemprego aberto, representando 5,61% do total do desemprego mundial, apesar de contribuir com 3,12% na PEA global. Em contrapartida, no ano de 1986, a colocação do Brasil no ranking mundial foi a décima terceira, com participaçãó de 2,75% e representação de 1,68% do desempenho mundial".

O economista alertava que o perfil ocupacional do trabalhador brasileiro o deixava exposto aos efeitos deletérios da globalização, decorrentes da liberalização comercial e da desregulamentação do mercado de trabalho, sem constrangimento por parte das políticas macroeconômicas e sociais nacionais. Para quem acredita que Lula nada mais fez senão dar continuidade ao governo FHC, é legítimo indagar: sobre que bases em que está assentada esta crença?

O descontentamento com a crise energética influía negativamente na avaliação do governo FHC, de acordo com pesquisa do Instituto Vox Populi, feita em junho de 2001. O percentual de ruim e péssimo saltava de 34 para 42%. A taxa de ótimo/bom refluía de 22% para 17%. Os entrevistados apontavam como piores áreas do governo: a saúde (29%), a energia elétrica (23%) e a segurança (17%). Ou seja, a gestão do "melhor ministro da Saúde que o país já teve", como alardeia a propaganda tucana, era a que apresentava a pior avaliação. Os tempos eram duros para o "homem de bem" dos púlpitos do Opus Dei.

Em 2002, aliados e estrategistas dos principais candidatos à Presidência acreditavam que o fechamento de um acordo com o FMI aliviaria o clima da campanha eleitoral por trazer mais estabilidade à economia e afastar a "argentinização" do Brasil.

O candidato do PSDB, José Serra, pretendia faturar o momento, apresentando-se como o único capaz de repetir o feito de fechar, se necessário, um novo acordo. Seu raciocínio era contestado por outro "homem de bem". O presidente do PPS, senador Roberto Freire, conhecido como "líder do governo na oposição", reagia com ironia aos prognósticos do tucano.

"Isso é uma besteira, algo risível. Esse acordo está sendo fechado para corrigir os equívocos da equipe econômica, totalmente subordinada ao FMI. Porque reduziram o estrago, agora querem virar os salvadores da pátria".

Freire, como se sabe, viria a apoiar Alckmin em 2006 e está na coligação tucana em 2010. Sua trajetória, como político de esquerda, é conhecida. Desde os tempos do velho PCB, o oportunismo açoita-o em direção da direita, em nome de evitar a vitória da direita pior. Sempre aderiu ao blablablá de combater o "inimigo de dentro"- o que, na linguagem cristalina da política, significa descolar uns empreguinhos no governo. E, quem sabe, um dinheirinho para a campanha. Esta sempre foi sua interpretação sobre o conceito gramsciano de "guerra de posição"

O DEM completa a tríade da santidade oposicionista. Nunca foi capaz de matricular-se num curso intensivo sobre como fazer campanhas eleitorais sem recursos do Orçamento da União, que fosse só na base do palanque, aqui entendido como discurso de identificação com a sociedade. Para tal, precisaria arrumar um projeto de país, coisa que jamais passou pela cabeça do seu ex-presidente, Jorge Bornhausen, conhecido pelo apelido de "Alemão", por conta do temperamento gélido e da ascendência genética.

Serra, Freire, Borhausen. Eis a santíssima trindade. Por ela, as redações rezam em editoriais e colunas: "dai-me sempre guarida, tende de mim piedade" O Estado laico não pode dizer amém.

* Poichman, Márcio. O Emprego na Globalização. SP, Boitempo, 2001

Gilson Caroni Filho é professor das Faculdades Associadas Hélio Alonso, no Rio



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/a-santissima-trindade-dos-homens-de-bem-25331.html

Candidatura de Serra é retrocesso político, dizem professores universitários

Leia abaixo o manifesto divulgado por professores universitários contra a política de educação implementada pelos governos do PSDB em São Paulo e no Brasil:

Manifesto de Professores Universitários em Defesa da Educação Pública

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “trólóló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.

Para aderir ao manifesto envie sua autorização diretamente ao e-mail: emdefesadaeducacaopublica@gmail.com

Para ver quem já aderiu clique em http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/

Blog Os amigos do Presidente Lula



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/eleicoes-2010-11/candidatura-de-serra-e-retrocesso-politico-dizem-professores-universitarios-25371.html

FHC perdeu o juízo ou aposta na falta de memória do povo brasileiro?

Enviado em 15 de outubro de 2010, às 07h49min


Nos jornais de hoje, está lá a notícia em letras graúdas, destaque de primeira página, informando que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desafiou o presidente Lula a um debate "cara a cara", após as eleições, para se saber quem fez mais pelo Brasil no governo de um e de outro.

"Eu mudei o Brasil. Eu nunca disse isso. Agora, oito anos depois do governo Lula digo que eu mudei o Brasil" - disparou FHC.

Se eu fosse Lula, topava a parada na hora - já. Mas não para comparar governos, que eles são incomparáveis e até já mereceram um texto bem humorado (leiam aqui) que corre pela internet. Eu, se fosse Lula, topava o debate "cara a cara" com FHC para lembrá-los dos escândalos que ele escondeu em seu governo e que custaram ao Brasil muitos bilhões de reais e um trabalho intenso para recuperar o país.

Lembrava a quebra do monopólio da Petrobras, por exemplo, que por muito pouco não quebrou a maior empresa brasileira.

Lembrava o escândalo do Sivam, um projeto que quase foi abaixo pelas fraudes que o seu governo encobriu.

Lembrava a farra do Proer, o programa de ajuda aos bancos, que em 1995 injetou 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em instituições falidas mas de grandes amigos.

Lembrava também as denúncias de caixa dois nas campanhas eleitorais de FHC em 1994 e em 1998 - basta rever as contas apresentadas ao TSE.

Lembrava ainda o engavetamento quase diário de CPIs no Congresso Nacional, o que fez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a divulgar uma nota dizendo não ser justo "que se roube o pouco dinheiro de aposentados e trabalhadores para injetar no sistema financeiro, salvando quem já está salvo ou já acumulou riquezas através da fraude e do roubo".

Lembrava a distribuição franca e vergonhosa de propinas para a privatização da Telebrás e da Vale do Rio Doce, a cargo do tucano Ricardo Sérgio de Oliveira, então diretor internacional do Banco do Brasil.

Lembrava a mudança da Lei de Patentes, apenas para fazer a vontade dos Estados Unidos.

Lembrava o quanto custou no Congresso a aprovação da reeleição, cada parlamentar a favor recebendo R$ 200 mil.

Os grampos telefônicos que flagraram Luiz Carlos Mendonça de Barros (ministro das Comunicações) e André Lara Resende (presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) articulando apoio da Previ para beneficiar o Opportunity, do banqueiro-ladrão Daniel Dantas, alguém já esqueceu?

A corrupção escancarada no DNER, onde os peemedebistas de então se escondiam, é uma página virada?

O "caladão" de 1999, quando os telefones ficaram mudos no mês de junho por conta da privatização às pressas da Telebrás, ficou na memória?

Ninguém se lembra mais que em 1998, para se reeleger, FHC prometeu manter a paridade entre o real e o dólar e logo depois, reeleito, fez exatamente o contrário?

E a fortuna de R$ 1,6 bilhão paga aos bancos Marka e FonteCindam em 1999, quando se sabia que ambos naufragaram por conta própria e ensaiada?

E o superfaturamento de um stand europeu do Brasil na festa dos 500 anos, a cargo do filho de FHC, o inesquecível Paulo Henrique Cardoso?

Alguém se esqueceu do racionamento de energia em 2001, por causa da incompetência governamental que obrigou os brasileiros a desligarem a luz meses a fio?

Vocês não lembram mais do vergonhoso acordo assinado pelo governo com empresas farmacêuticas internacionais, permitindo que elas levassem o nosso patrimônio genético a custo zero?

Esqueceram a compra sem licitação de milhares de computadores para escolas públicas e o megacontrato que o governo fechou com Bill Gates para manter aqui o monopólio da Microsoft?

E o rombo transamazônico na Sudam, que levaram o então presidente do Senado, Jáder Barbalho, aliado de FHC, a ser preso e renunciar?

E a ameaça de mudanças na CLT, só barrada porque a sociedade gritou e a oposição fincou pé?

Fecharam a Sudene porque havia desvios de bilhões, especialmente em notas frias. Alguém esqueceu?

No governo FHC, a legislação ambiental era fraca e mesmo assim desrespeitada - o que provocou o maior desmatamento já registrado na Floresta Amazônica. Lembram vocês e lembra ele?

Do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o senador tucano Teotônio Vilela garfou R$ 4,5 milhões sem ser incomodado pelo aliado FHC. Esqueceram?

Esqueceram também que em 2001 o Tribunal de Contas da União listou 121 obras federais com irregularidades graves?

A dengue, no governo FHC e sob a guarda de José Serra no Ministério da Saúde, se transformou em uma epidemia e mesmo assim um e outro demitiram seis mil funcionários contratados para eliminar focos do mosquito. Esqueceram?

O massacre em Eldorado de Carajás, com o assassinato de 19 sem-terra, ocorreu em 1996. Em 1996, quem era o presidente da República?

Por seis anos, FHC congelou a tabela do Imposto de Renda. Doeu no bolso de quem, hein?

É pouco, mas tem mais. Só que o espaço é pequeno, não permite.

Mas é risível, chega a ser tragicômico, FHC querer um encontro "cara a cara" com Lula para saber quem fez mais pelo Brasil.

Isso é. Brasília Urgente.


Fonte: http://marcosimperial.blogspot.com/2010/10/fhc-perdeu-o-juizo-ou-aposta-na-falta.html

domingo, 17 de outubro de 2010

Panfletos falsos da CNBB são apreendidos em SP

QUEM PAGA OS PANFLETOS DO BISPO BERGONZINI CONTRA DILMA? 'PAULO PRETO', O TUCANO DA MALA PRETA, DEVE SABER.

Dois milhões e 100 mil panfletos contra Dilma Rousseff, com falsa chancela da CNBB, estavam sendo rodados em uma gráfica em SP, descoberta pelo PT. Os responsáveis pela Pana Editora e Gráfica afirmam que o material --apenas um lote de um total de 20 milhões de panfletos que estão sendo rodados em SP com o mesmo conteúdo-- foi encomendado pelo bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, da diocese de Guarulhos-SP. Perguntas que precisam ser respondidas: 1- Desde quando o bispo de Guarulhos tem dinheiro para imprimir 20 milhões de panfletos apócrifos? 2-Quem paga as gráficas? 3- De onde veio o dinheiro? 4- Em que conta da diocese ele foi depositado? 5-Quem orientou o texto a falsear a chancela da CNBB? 6-Dom Bergonzini conhece 'Paulo Preto', o homem acusado de sumir com R$ 4 milhões do caixa 2 da campanha de Serra -- que guarda segredos com força suficiente para obrigarem Serra a tratá-lo, alternadamente, num dia como 'factóide' e no outro, como 'competente e inocente' -- tudo isso num hiato de apenas 12 horas depois que Paulo Preto ameaçou Serra na Folha dizendo:' não se abandona um líder ferido na estrada; não cometam esse erro'. 7- Quem, afinal, está abastecendo o caixa da diocese de Guarulhos para transformá-la num bunker eleitoral anti-Dilma? Com a palavra, a operosa Polícia Federal de SP e a não menos operosa vice-procuradora do TSE, Sandra Cureau

OBSCURANTISMO X RAZÃO

Trata-se de derrotar a grande conspiração obscurantista. Trata-se da luta milenar da razão contra a superstição, da tolerância contra o fanatismo"
[Bernardo Kuscinski; 17-10; leia nesta pág.]

O ENCONTRO DOS PROFESSORES DE FILOSOFIA COM DILMA

Intelectuais e artistas brasileiros se mobilizam em todo o país em manifestações de protesto e indignação contra as metas e os métodos adotados pela candidatura do conservadorismo brasileiro. "Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra", diz um desses manifestos ( leia a íntegra). Outro documento importante, reunindo intelectuais da área de filosofia -- alguns deles ex-militantes da Ação Popular e velhos conhecidos de Serra-- nasceu no encontro da Associação de Pós-Graduação em Filosofia - ANPOF. Na semana passada, as professoras Marilena Chauí e Andrea Loparic, a mais renomada especialista em lógica do país, foram pessoalmente entregar o texto a Dilma Rousseff. Leia o relato do encontro feito pela professora Loparic.

7 erros na suposta ficha de Dilma que circula na internet

Marilena Chauí fala sobre Serra e quem e o que ele representa

Marilena Chauí fala sobre o perigo que representa a possível eleição de José Serra, bem como o deserviço que a Grande Mídia vem fazendo e o que tem de ambientalista nas propostas de Serra.







Maria Rita Kehl: Dois pesos…

5 de outubro de 2010 às 20:23

DOIS PESOS…

por Maria Rita Kehl, no Estadão, via Vermelho

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.


Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/maria-rita-kehl-dois-pesos.html

A campanha, na reta final

16/10/2010

Por Emir Sader


A campanha presidencial entrou numa nova etapa, a quarta e, provavelmente, a última e definitiva.

A primeira correspondeu ao longo período de liderança do Serra nas pesquisas, basicamente pelo fenômeno do recall, que aparentemente se chocava com a enorme popularidade do governo Lula, refletida na grande proporção de pesquisados que revelavam preferência pelo Serra, mas afirmavam querer votar pelo candidato do Lula.

A segunda correspondeu à lenta, mas segura ascensão da Dilma à liderança das pesquisas, pela transferência de votos, correspondente ao mecanismo apontado acima.

A terceira foi a da contraofensiva da direita, que conseguiu um atalho – conforme a feliz expressão de Maria Ines Nassif – com o tema do aborto, para chegar ao lado conservador de um eleitorado favorável ao governo Lula, beneficiário das políticas sociais. Pesou também – em proporções ainda a definir – a denúncia do caso Erenice, afetando a imagem da Dilma. A resultante foi uma inflação dos votos da Marina de setores evangélicos por um lado, de setores descontentes com o PT e o governo Lula, que afetou a votação da Dilma, levou indecisos para a Marina e levou a eleição para o segundo turno.

Este mesmo período se estendeu ao inicio do segundo turno, com a transferência majoritária dos votos da Marina (+ de 50%, segundo as pesquisas) para o Serra, encurtando as distâncias em relação a Dilma. Tudo isto sob o forte impacto da campanha de denuncias e difamação dos setores mais obscurantistas da sociedade, acompanhado dos seus ecos na imprensa, no seu papel de dirigente político da oposição.

Esta etapa passou a esgotar – mesmo se seus efeitos ainda se fazem sentir -, segundo as pesquisas, levando a uma espécie de congelamento relativo das votações da Dilma e do Serra, com vantagem para ela, embora com oscilações possíveis de votos, devido ao nível de rejeição que a orquestração das distintas campanha conseguiu contra a Dilma.

A retomada de iniciativa da pauta política pela candidatura da Dilma se deu pela retomada do tema das comparações entre os governos FHC-Serra e Lula-Dilma, em que o epicentro da privatizações ganhou destaque. Ao mesmo tempo, a campanha da Dilma desatou, em resposta à brutal ofensiva de acusações – assumidas formalmente algumas, sorrateiras as outras – acusações a Serra, que devem voltar a elevar seu nível de rejeição. A candidatura da oposição teve que retomar a defensiva, para responder seja às acusações que foi recebendo, seja no tema das privatizações e outros do governo FHC.

Na reta final, a disputa se dará, pelo lado do Serra, de votos da Dilma – dado que a quantidade de indecisos não seria suficiente para superar a distância em relação a ela -, pela intensificação do lado obscurantista da campanha do Serra – que chegou a imprimir santinhos sobre Jesus e a verdade, como frase do candidato da direita, que trata de insistir no tema do aborto. A ferocidade e as calúnias tendem a aumentar, porque foi aí que o Serra encontrou sua forma de diminuir as distâncias, com a imprensa jogando papel de ainda maior protagonismo.

Do lado da candidatura da Dilma, o retorno com intensidade do Lula à campanha favorece deslocar a polarização em torno das figuras da Dilma e do Serra, para a questão real: da continuação do governo Lula ou da retomada do governo FHC. Com os mais de 80% de popularidade, Lula tem a maior audiência, mais propensa a escutá-lo para enfrentar o dilema real do dia 31: prolongação e aprofundamento do caminho iniciado pelo seu governo ou restauração conservadora.

A atitude mais agressiva da Dilma nos debates, a mobilização da militância política, os atos de apoio de distintas categorias e o trabalho dos governadores nos estados onde o governo saiu vencedor e da campanha nacional onde perdeu – são os fatores que podem levar à vitoria da Dilma no dia 31.


Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=572

sábado, 16 de outubro de 2010

O processo da vida e o aborto

Tudo o que concorre para o surgimento da vida deve ser objeto do cuidado por parte de todos. Não dá para pensar a vida humana fora do contexto maior da vida em geral, da biosfera e das condições ecológicas que sustentam o processo inteiro. Tais conhecimentos mal são evocados no debate atual.

(*) O artigo abaixo foi escrito por Leonardo Boff em março de 2008

Há tempos foram-me feitas duas perguntas. Recolho às respostas.

1. Como define a concepção de "vida"? O tema "vida" é objeto de muitos estudos, especialmente a partir da nova biologia, da teoria do caos e das ciências da complexidade.(**)

Superou-se a visão darwiniana que estudava a vida somente a partir dos organismos vivos e da biosfera. Hoje trata-se de inserir na discussão da vida todos os seus pressupostos cósmicos, físico-químicos, a consideração quântica dos campos e redes de energia sem os quais não se entende a vida. Como diz Stephen Hawking em seu livro "Uma Nova História do Tempo", "tudo no universo precisou de um ajuste muito fino para possibilitar o desenvolvimento da vida. Por exemplo, se a carga elétrica do elétron tivesse sido apenas ligeiramente diferente, teria danificado o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e, ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra, a vida não poderia existir" (Ediouro, 2005, p. 121).

A tendência atual da pesquisa é ver a vida como uma expressão de todo o processo evolutivo. Ao alcançar certo grau de complexidade e estando longe do equilíbrio (certo nível de desarranjo de uma ordem dada), emerge a vida como auto-organização da matéria. Sempre que isso ocorre, em qualquer parte do universo, a vida eclode como um imperativo cósmico. É a tese central de Chistian de Duve, Prêmio Nobel de Biologia, em seu famoso livro "Poeira Vital" (Campus, 1977). A vida humana é entendida como subcapítulo do capítulo da vida. Para entender a vida, deve-se, pois, observar todo o processo evolutivo com as precondições que possibilitaram outrora e ainda hoje possibilitam a emergência da vida. Isso não define a vida. Apenas tenta explicar como surgiu. Ela mesma é uma emergência misteriosa até para os próprios cientistas.

2. Quando se fala sobre o início da vida, a Igreja Católica afirma que ela começa no momento da concepção, em que óvulo e espermatozóide se encontram. Assim sendo, mulheres que optam por realizar um aborto são acusadas de terem cometido um atentado contra uma vida em potencial. Como avaliar a definição de vida entre um embrião ou feto e uma mulher?

Se inserirmos a vida no processo global da evolução, não podemos nos contentar com essa visão assumida oficialmente pela Igreja nos dias atuais. Na Idade Média, não era assim, pois para Tomás de Aquino a humanização começava apenas após 40 dias da concepção. A Igreja, para efeito de sua ética interna, pode estabelecer um momento da concepção da vida humana. Mas ela deve estar consciente de que está entrando num campo no qual não tem competência específica, o campo da ciência.

Se entendermos a vida como um processo cósmico que culmina na fecundação do óvulo, então devemos cuidar de todos os processos necessários para a emergência da vida, como a infra-estrutura ambiental e social. Tudo o que concorre para o surgimento da vida deve ser objeto do cuidado por parte de todos. Todos os seres, especialmente os vivos, são interdependentes. Não dá para pensar a vida humana fora do contexto maior da vida em geral, da biosfera e das condições ecológicas que sustentam o processo inteiro. Tais conhecimentos mal são evocados no debate atual.

Ademais, devemos entender a vida humana processualmente. Ela nunca está pronta. Lentamente vai desenrolando o código genético, que conhece várias fases, até que o ser concebido ganhe relativa autonomia. Mesmo depois de nascidos, nós não estamos ainda prontos, pois não temos nenhum órgão especializado que assegure nossa sobrevivência. Precisamos do cuidado dos outros, do trabalho sobre a natureza para garantir nossa sobrevivência. Estamos sempre em gênese. Todo esse processo é humano. Mas ele pode ser interrompido numa das fases. Isso quer dizer que ocorre a interrupção de um processo que tendia à plenitude humana, mas que essa não foi alcançada.

Nesse quadro pode ser situado o aborto. Devemos proteger o mais possível o processo, mas devemos também entender que ele pode ser interrompido por razões aleatórias ou pela determinação humana. Esta não é isenta de responsabilidade ética. Mas ela deve atender ao caráter processual da constituição da vida até alcançar a autonomia. Não é uma agressão ao ser humano propriamente dito, mas ao processo que tendia constituir um ser humano.

(**) As perguntas referidas pelo autor foram feitas para o livro Em defesa da vida: aborto e direitos humanos, publicado por Católicas pelo Direito de Decidir em 2006. (Clique aqui <http://www.catolicasonline.org.br/Publicacao_visualiza.aspx?cod=102%20> para mais detalhes sobre o livro)


Leonardo Boff é teólogo e escritor.



Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4828&alterarHomeAtual=1