segunda-feira, 14 de março de 2011

Reforma política para ampliar a democracia

Texto publicado na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de S. Paulo, edição de 13/03/2011.

A Câmara acaba de instalar uma comissão especial para tratar da reforma política. A iniciativa coincide com um momento em que cresce a consciência da necessidade de um revigoramento de nosso sistema político e eleitoral.



O Brasil tem uma democracia representativa de massas, mas o sistema pode ser aperfeiçoado, com medidas que reduzam os custos das campanhas e deem sentido programático às disputas.



A crescente preponderância do poder econômico nos processos eleitorais tem provocado profundas distorções nas instituições legislativas e executivas. Amplos setores da sociedade são alijados das disputas eleitorais, em função dos altos custos das campanhas. Tal fato é facilmente observável nas disputas por cargos executivos em todos os níveis e, principalmente, nas eleições proporcionais.



A interferência do grande capital privado nas eleições é uma das principais fontes das crises políticas que vivemos nos últimos tempos. O uso de caixa dois e favorecimentos a candidatos ligados ao capital resultam em aumento do tráfico de influência e da corrupção no âmbito da administração pública.



O financiamento público vai explicitar os custos do sistema político, não os transferindo para o Estado, via contratos. O único compromisso da pessoa eleita, seja em que esfera for, será com o eleitor. Financiamento público pode não ser perfeito, mas ajudará a limitar as fraudes e facilitará a fiscalização.



O sistema de votação atual é uninominal, em que um eleitor vota num candidato, sem ter em vista a cultura programática. Isso enfraquece os partidos. Daí a necessidade do voto partidário, que vai fortalecer os partidos e permitir mais racionalidade ao debate eleitoral.



Garante-se, assim, mais nitidez partidária e programática, tirando o caráter personalista do sistema atual, em que candidatos apresentam propostas voluntaristas, clientelistas, ilusórias.


Caberá aos partidos mudar o seu funcionamento, com garantia de democracia interna.


Precisamos rejeitar soluções mistificadoras, como as do voto distrital e do "distritão". Este quebra o pluralismo, a proporcionalidade, acentua a influência do poder econômico e exacerba o personalismo.



O voto distrital transforma o Congresso em espaço para assuntos paroquiais e permite que uma minoria social detenha a maioria parlamentar, eliminando o princípio "a cada eleitor, um voto", que preserva o caráter plural do Parlamento.



Necessitamos de estímulos à representação feminina e de negros nos três níveis de representação legislativa, além de mecanismos que aprofundem a participação da população na política, via plebiscitos e referendos, como nas democracias mais avançadas.



As mudanças que preconizamos fortalecem nossa democracia, dão mais transparência ao nosso sistema representativo e, sobretudo, asseguram mais agilidade e legitimidade nos mecanismos de expressão de toda a sociedade. Eis o desafio do Congresso Nacional.

Paulo Teixeira é deputado federal (PT-SP) e líder do PT na Câmara.





Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/reforma-politica-para-ampliar-a-democracia-47181.html


Avanço social

Texto publicado no jornal O Globo, edição de 09/03/2011



O ano legislativo iniciou-se com um grande debate nacional sobre a política de reajuste do salário mínimo. Elemento dinamizador da economia brasileira e um dos seus principais instrumentos para a redistribuição de renda, o salário mínimo teve um crescimento real de 57,3% nos oito anos de governo Lula, elevando o poder de compra para 2,06 cestas básicas, mais do que o dobro do valor de dezembro de 2002.

Apesar deste avanço, o país não possuía uma política de longo prazo que garantisse sua valorização de maneira consistente e previsível. Uma política que de forma responsável e planejada continuasse "repartindo o bolo enquanto ele cresce", permitindo a melhoria do nível de vida de 47,7 milhões de brasileiros.

Esta política é materializada na proposta apresentada pelo governo Dilma e ratificada pelo Congresso Nacional, que aprovou como mecanismo de reajuste do mínimo, até 2015, a reposição automática da inflação do ano anterior acrescida da variação do PIB do penúltimo ano.

O que garantirá aos trabalhadores, em 2012, um reajuste de 7,5%, correspondente ao crescimento do PIB em 2010, acrescido da inflação de 2011. Com uma previsão de inflação em 2011 entre 5% e 6%, o reajuste final deve ficar entre 12% e 14%, elevando o salário mínimo para próximo de R$ 620.

Abstraindo-se a polêmica que se procura criar quanto ao valor para o reajuste do mínimo deste ano, é preciso reconhecer que esta proposta - fruto de acordo do ex-presidente Lula com as centrais sindicais - confere, ao longo dos anos, uma recuperação crescente do seu poder de compra.

Além disso, esta política confere segurança institucional aos agentes públicos e privados, deixando de ter um caráter de oportunidade ocasional. O setor privado e público, aqui incluídos os três entes federados, podem e devem se planejar, realizando os ajustes necessários para absorver os seus impactos.

Discute-se, ainda, a conveniência ou constitucionalidade de aprovar-se uma lei que terá o valor nominal explicitado por decreto nos próximos quatro anos. A lei é clara nos parâmetros que definirão os reajustes, restando apenas ao Executivo fazer contas dos dois fatores definidos em lei. Portanto, garante, por tempo determinado, uma regra previsível para que os agentes econômicos se ajustem.

O contrário é permitir tudo como antes, ou seja, nada, nenhuma garantia aos trabalhadores, e debates anuais sobre a conveniência ou não dos valores, além do velho argumento de que os atores públicos e privados não se prepararam porque não conheciam as regras.

Como defende o slogan do governo Dilma, "país rico é país sem pobreza", a afirmação da política para o salário mínimo em lei é paradigmática. Juntamente com as ações do Programa de Erradicação da Pobreza Extrema, o "PAC Social", a recuperação consistente do salário mínimo demonstra que o governo Dilma avançará nas políticas de redistribuição de renda no Brasil.

Rui Costa é deputado federal (PT-BA)



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/avanco-social-46961.html


97% dos acordos conquistaram reajustes iguais ou acima da inflação, segundo o Dieese

Aproximadamente 97% das 290 negociações salariais registradas no primeiro semestre de 2010, pelo Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) mantido pelo Dieese, conquistaram reajustes salariais iguais ou acima da inflação medida pelo INPC-IBGE, acumulada desde o último reajuste.

Trata-se de um desempenho melhor que o obtido pelas mesmas 290 unidades de negociação nos anos de 2008 e 2009, quando o percentual de negociações com reajustes iguais ou superiores ao índice foi, respectivamente, 87% e 93%.

A melhora no resultado dos reajustes em 2010 frente ao observado nos dois anos anteriores é um indicativo do bom momento por que passa a negociação coletiva brasileira, em sintonia com a evolução dos indicadores econômicos do país.

A coletiva à imprensa vai ser, nesta quinta-feira (17), às 9h30, na sede do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo, na Rua das Carmelitas, 149, Centro.



Fonte: http://www.cut.org.br/agencia-de-noticias/44344/dieese-faz-balanco-das-negociacoes-salariais-do-1-semestre-de-2010

Por um Plano Nacional de Educação a serviço do Brasil

Os desafios da Jornada de lutas da UNE: Por um Plano nacional de educação a serviço do Brasil

O processo eleitoral de 2010 foi um dos principais momentos políticos da história do povo brasileiro. A eleição de Dilma representou a terceira derrota consecutiva do neoliberalismo no país e ampliou a possibilidade da construção de uma nova hegemonia política e social.

A UNE agiu acertadamente ao definir, de forma inédita, apoio a candidatura Dilma no segundo turno. Os estudantes tiveram papel fundamental na politização da disputa eleitoral em curso e na derrota dos setores mais conservadores – grande mídia comercial, TFP (Tradição Família e Propriedade), capital financeiro e setores ligados ao regime militar no país – organizados a partir da candidatura de José Serra.

A vitória de Dilma também foi possível devido ao balanço positivo do governo Lula. Os dois mandatos do Presidente Lula devem ser encaradas como um período de interrupção da hegemonia neoliberal no país. Em especial, o segundo mandato e as respostas dadas ao processo de crise financeira, consolidaram saídas progressistas e anti-liberais, caminhando rumo a um projeto político baseado na soberania internacional, no desenvolvimento e no distribuição de renda.

A aprovação do projeto político do presidente Lula e a vitória nas eleições de 2010 representam o fortalecimento de um pensamento anti-liberal do povo brasileiro, contribuindo em uma conjuntura de disputa política mais favorável para os próximos anos. Neste contexto, os movimentos sociais tem o desafio de ampliar seu protagonismo social e atualizar suas lutas e tarefas diante das novas possibilidades abertas pela conjuntura atual.

A UNE tem sua história marcada pela contribuição aos principais temas que mobilizaram o nosso povo, como a resistência ao golpe militar ou o processo de redemocratização do país. Mas, somos responsáveis, sobretudo, por significar e sistematizar as principais formulações do povo brasileiro na política educacional.

Embuídos dos desafios colocados ao movimento social e do histórico da UNE, os estudantes brasileiros iniciaram o ano de 2010 com um amplo processo de mobilização. Convocamos durante o 13 CONEB da UNE, onde estiverem presente mais de 5 mil estudantes, uma Jornada de Lutas para o período de 21 a 25 de março de 2011 com o chamada “ A educação tem que ser 10 – Por um Plano Nacional de Educação à Serviço do Brasil”

A Jornada de lutas convocada pela entidade reafirma duas questões centrais: o papel da UNE em disputar a correlações de forças da sociedade brasileira e protagonizar nas ruas o processo político em curso no país; e aponta o tema educacional, sobretudo as discussões referentes ao Plano Nacional de Educação, como a principal contribuição da entidade à dinâmica transformadora em curso.

A mudança dos patamares de financiamento da educação está no centro da pauta das mobilizações estudantis. Reinvindicamos a bandeira histórica do movimento estudantil de investir 10% do PIB e 50% dos recursos oriundo do Fundo Social do Pré-sal em educação.



No entanto, nossas contribuições vão muito além deste tema, reafirmando a opinião, acumulada historicamente na entidade, de que o financiamento é apenas um passo na democratização da educação brasileira.



Por isso, estão na pauta também a aprovação das cotas raciais nas universidades, a ampliação do investimento em assistência estudantil, a regulamentação do setor privado, a ampliação do acesso à universidade atingindo patamares de 40% da juventude brasileira na universidade, sendo 60% destes no setor público e a democratização dos espaços universitários garantindo eleição direta para reitor e composição paritária dos conselhos universitários.

Tais bandeiras serão colocadas como emendas ao projeto de lei do Plano Nacional de Educação proposto pelo Governo Federal ao Congresso. Servindo também como elementos organizadores das mobilizações estudantis de março.

Mobilização estudantil, disputa da hegemonia nas universidades, unidade do movimento educacional brasileiro e atuação protagonista no Congresso Federal são ingredientes importante no sucesso político da Jornada de Lutas da UNE. E um grande passo rumo à vitórias dos estudantes na educação brasileira.

Tiago Ventura é vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/tiago-ventura:-por-um-plano-nacional-de-educacao-a-servico-do-brasil-45831.html


A democracia e a demonização da política

Texto publicado na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de S. Paulo, edição de 08/03/2011

Novos sujeitos políticos estão surgindo no interior de um processo de desconstituição da política, que ocorre em escala mundial, após o fracasso das receitas neoliberais para a reforma do Estado.

Esses novos sujeitos florescem fora dos partidos, tanto nos regimes democráticos como nos países autoritários. Quem substitui os partidos, hoje, são as redes sociais, as organizações de defesa do direito das mulheres contra Berlusconi na Itália, os movimentos populares de jovens no Egito, os "banlieues" nas periferias de Paris.

Todos movimentos em rede, que não pedem licença aos partidos ou aos sindicatos. São designados pela mídia, equivocadamente, como "revoluções", mas sem ideologia unitária. O que pedem são reformas, reconhecimento, oportunidades de trabalho, democracia e participação. São movimentos relativamente espontâneos, não contra a política, mas por outra política. Todo o espontaneísmo é sadio quando se desdobra, em algum momento, em organização consciente.

Torna-se perigoso e contraproducente, em termos democráticos, quando permanece só fluindo, sem substituir o "velho" por nova ordem: a desesperança, nesse caso, pode redundar em salvacionismo ditatorial reciclado, gerando situação inclusive pior que a anterior.

É visível que existe, em grande parte da mídia, também uma campanha contra a política e os políticos, o que, no fundo, é, independentemente do objetivo de alguns jornalistas, também uma campanha contra a democracia.

Ela generaliza o desprezo aos políticos e ao Estado, principalmente àqueles que ainda preservam traços de defesa do antigo Estado de bem-estar. São sempre os partidos políticos, porém, os legatários que reorganizam a sociedade, seja para mais coesão e mais igualdade, seja para mais hierarquia, diferenças sociais e autoritarismo.

É verdade que poucos partidos têm compreendido a profundidade desses movimentos, permanecendo incapazes de apresentar alternativas novas. A maioria, na defesa de seus programas de governo, cinge-se a doses maiores ou menores de "liberalismo" ou "keynesianismo".

Estão desatentos ao fato de que as relações culturais, científicas e econômicas globais mudaram tudo. E que hoje é preciso propor novas formas de organização do Estado, novos tipos de políticas públicas e também organizar um novo sistema de defesa da moral pública.

Mas "representação" e eleições, mal ou bem, sempre constituíram formas de resistência contra o domínio, sem limites, dos manipuladores do capital financeiro especulativo que controlam a vida pública das nações. Eleições e representação constituíram, sempre, "problemas" para os mentores das reformas neoliberais, que agora são os herdeiros políticos do seu fracasso.

O domínio da ideologia neoliberal, além de ter conseguido sua hegemonia a partir da ideia do "caminho único", agora requer conclusões únicas sobre os efeitos da crise, para diluir as responsabilidades de quem a gerou. Desmoralizar a política, partidos e políticos ajuda a desmoralizar as críticas ao fracasso do seu modelo de sociedade.

Por isso, as frequentes campanhas genéricas contra o Estado e contra os políticos em geral têm sido duras. São campanhas não contra o Estado ausente, que dispensa políticas sociais. Nem contra os políticos corruptos, em especial. Mas uma campanha abrangente contra o Estado e contra a política.

As lições do Oriente e também da Europa servem para todos nós que, imbuídos do "desenvolvimentismo econômico e social", defendemos que o Estado deve ser forte por ser transparente e acessível à participação popular. Jamais deve ser "fraco", para ser obrigado a aplicar as receitas da redução impiedosa dos gastos sociais. E, depois, eleger a caridade privada como meio de compensar desigualdades brutais que o neoliberalismo nos legou.

Tarso Genro é governador do Rio Grande do Sul pelo PT. Foi ministro da Justiça (2007-2010), ministro da Educação (2004-2005) e prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-1996 e 2001-2002).



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/a-democracia-e-a-demonizacao-da-politica-46531.html

Bancada do PT lamenta perda de Eduardo Valverde

[Grande liderança, grande militante!Uma perda muito grande para a esquerda, para o PT, para o povo de Rondônia e para o povo do Brasil]


Deputados da bancada petista na Câmara expressaram pesar nesta segunda-feira (14) pelo falecimento do ex-deputado Eduardo Valverde (PT-RO).

Segundo os parlamentares, a perda de Valverde deixa uma grande lacuna na vida política de Rondônia, do país e do Partido dos Trabalhadores. "Eduardo Valverde foi um militante aguerrido na disputa política, envolvido de corpo e alma em causas importantes como a defesa dos direitos da população indígena, do meio ambiente e da Amazônia. Foi também um grande combatente na luta contra o trabalho escravo e na defesa dos direitos dos trabalhadores", destacou o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP).

O líder petista ressaltou a influência política de Valverde no Congresso e lembrou que durante os oito anos em que exerceu mandato na Câmara, sempre esteve sintonizado com as grandes questões nacionais e atuou com disciplina e muita competência nas diferentes comissões que participou. "No Congresso, Valverde foi um grande tribuno na defesa do projeto nacional do PT que vem sendo implementado desde 2003", ressaltou.

Na avaliação do deputado Padre Ton (PT-RO) uma das principais marcas do ex-parlamentar era a capacidade de dialogar com todas as forças políticas estaduais e nacionais. "Foi um desfalque muito grande na política, não só interna do PT, mas de todo o estado. Sua atuação era equilibrada, com isso ele conseguia dialogar com todas as forças. Estamos muito atordoados com esta lamentável perda", disse. Padre Ton ressaltou a ligação de Valverde com os movimentos sociais, especialmente com a causa indígena e quilombola.

Grande liderança

Para o deputado Josias Gomes (PT-BA), que representou a bancada petista no velório, Valverde deixou um grande legado político e ajudou na formação das principais lideranças políticas do estado. "Foi uma perda inestimável. Com sua forte liderança, Valverde deixou muitos seguidores. Sua atuação sempre foi muito vigorosa e bastante coerente com a realidade do país e do estado", lamentou. Josias ressaltou ainda o seu protagonismo na criação do PT de Rondônia. Valverde foi sepultado na manhã deste domingo (13) em Porto Velho, capital do estado.

Valverde, que era presidente do PT em Rondônia, faleceu na última sexta-feira (11) em decorrência de um grave acidente de carro ocorrido na BR-364, na região do município de Ji-Paraná-RO. No acidente, também faleceu o secretário estadual de organização da sigla, Ely Bezerra Sales.


Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/institucional-3/bancada-do-pt-lamenta-perda-de-eduardo-valverde-47311.html

"MERCADOS" CONTRA O POVO


Taxa de crescimento do país deslizou de 7,5% ao ano para 3,5% neste início de 2011. BC recua e já admite encurtar ciclo de alta dos juros, mas rentistas criticam moderação e exigem novas altas da Selic com base nas 'expectativas inflacionárias'. Episódio expõe fragilidade da metodologia que torna a política monetária e a sociedade reféns da opinião dos mercados sobre o comportamento dos preços: "Esse sistema de coleta semanal de expectativas junto ao "mercado" dá margem para a criação de um clima de "terrorismo inflacionário" no qual a deterioração dos índices de inflação de curto-prazo (causados por fatores como aumento dos preços das commodities internacionais, sazonalidade dos índices e etc) gera uma piora constante das expectativas de inflação ..., criando uma atmosfera de "descontrole inflacionário" a qual leva a uma pressão política por um imediato (e rápido) ajuste da taxa de juros" (José Luis Oreiro)

(Carta Maior; 2º feira, 14/03/2011)

Para EUA, Mercosul é “antinorteamericano”

Um documento secreto do Departamento de Estado ao qual o jornal Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o temor estadunidense diante da consolidação de um bloco regional que inclua também a Venezuela. O texto revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana”, afirma.

Pela primeira vez vem a público um documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos que qualifica o Mercosul como um organismo “antinorteamericano”. Não consta nos arquivos públicos nenhuma menção neste sentido por parte de uma autoridade do Departamento de Estado. O documento ao qual o Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “A entrada da Venezuela no Mercosul altera claramente o balanço e a dinâmica da organização”, diz o texto. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana”.

A reunião ocorreu nos dias 8 e 9 de maio de 2007 no Rio de Janeiro. O telegrama com um resumo foi classificado como secreto no dia 17 de maio pelo número dois da embaixada no Paraguai, Michael J. Fitzpatrick. Seu título original é “Conferência: uma perspectiva do Cone Sul sobre a influência de Chávez”. Participaram os embaixadores norteamericanos no Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile, e o relatório agradece ainda as contribuições da embaixada na Bolívia.

Quase quatro anos depois do encontro adquire ainda mais importância que tenha sido um diplomata sediado no Paraguai o encarregado de qualificar o grau de confidencialidade da reunião. O protocolo de adesão da Venezuela foi firmado em março de 2006. Mas até hoje não entrou em pleno vigor porque um país só passa a ser membro pleno do Mercosul quando os parlamentos dos países que já são membros ratificam a decisão dos poderes executivos. A única coisa que falta para a entrada da Venezuela no bloco é, hoje, a ratificação do Senado paraguaio.

Na última reunião do Mercosul (Foz do Iguaçu, em 2010), a presidenta Cristina Fernández de Kirchner disse que “a incorporação da Venezuela ao Mercosul, além de aportar sua generosidade, vai ajudar estrategicamente a consolidar-nos em uma das frentes mais importantes deste século, a energética”. Cristina disse confiar “nos irmãos do Paraguai”, destacou o Mercosul como um bloco que permitiu deixar para trás uma hipótese absurda como o enfrentamento entre a Argentina e o Brasil e acrescentou que o peso dos mercados internos dos dois países permitiu “superar a crise global mais importante desde 1930”.

O atrativo de Chávez
A conclusão final dos embaixadores é que “a campanha de Chávez para expandir sua influência no Cone Sul é multifacetada e repousa em boa medida, mas não totalmente, em uma generosa assistência energética e em acordos de investimento”. Concede que a figura de Chávez pode ser “atrativa para muitos dos despossuídos da região, que todavia esperam que a globalização lhes traga os benefícios do livre comércio e o governo verdadeiramente democrático”.

Segundo o telegrama, “ao integrar a Venezuela às instituições existentes e ao criar novos organismos regionais, Chávez quer que o Cone Sul siga essa ideia”. Que resultados teria produzido a suposta campanha do presidente venezuelano? “Poucos países provaram ser capazes de resistir ao atrativo da ajuda venezuelana e de seus pacotes de investimento”.

Para a sorte dos críticos da integração venezuelana, “ao mesmo tempo que a influência de Chávez na região se expandiu significativamente, os líderes regionais suspeitam de seus motivos e objetivos”. Muitos desses líderes “coincidem na ideia de que o Cone Sul, e sobretudo a América do Sul, deve estabelecer uma identidade separada em relação à hegemonia norte-americana, mas não se sentem cômodos se são usados”.

Uma frase dos embaixadores indica o estado do diagnóstico estadunidense: “os Estados Unidos não podem esperar que os líderes da região corram em nossa defesa”.

E depois do diagnóstico vem a recomendação: “Precisamos nos convencer da necessidade de implementar uma estratégia transparente para a região”. O texto segue assim: “Nossa ideia de uma comunidade de nações democrática e inclusiva que assegura a perspectiva de um futuro mais próspero para seus cidadãos é a resposta correta a Chávez”. Os participantes também pediram “mais ferramentas e recurso para se contrapor ao que definem como “esforços políticos de rachar a democracia, desenhar estratégias econômicas para estrangular o comércio livre, a politização do Mercosul, a expansão das relações na área da Defesa e a campanha nos meios de comunicação de massa”.

País por país
Os diplomatas reunidos no Rio de Janeiro se manifestaram convencidos de que existe uma campanha pública de Chávez e outra clandestina, de distribuição de recursos, e analisaram a posição dos governos da América do Sul detalhadamente.

No caso argentino, um dado chave é o fato de que, segundo os participantes, “uma pesquisa realizada em dezembro de 2006 apontava que Chávez era popular para 52% dos argentinos” e que a imagem dos EUA não era popular. Ao mencionar o nome de Néstor Kirchner, então presidente da Argentina, o relatório diz que “Kirchner tentou distanciar-se publicamente da posição antinorte-americana de Chávez e tratou de manter a percepção de uma linha mais independente para resultar potável ao eleitor médio, mas sua estratégia econômica claramente busca laços mais estreitos com Chávez no comércio e nas finanças, procurando posicionar-se, além disso, entre Lulz e Chávez no espectro regional”. Na visão estadunidense, Kirchner tentava balancear a relação com Chávez. “Isso é evidente no apoio de Kirchner e sua esposa à comunidade judia da Venezuela e, simultaneamente, no fato de que tenham se abstido de qualquer comunicado em favor da liberdade de imprensa no caso da RCTV, por exemplo”.

“Ainda que Kirchner compartilhe algumas das posturas esquerdistas de Chávez, ele é muito mais um pragmático”, diz o texto. E nomeia os empréstimos de 4,2 bilhões de dólares concedidos a Argentina.

O documento assinala ainda que “o que levou o Brasil a apoiar a admissão da Venezuela no Mercosul foi a crença de que Chávez poderia ser controlado mais facilmente dentro do organismo do que se deixado a sua própria inspiração fora dele”. O texto põe em questão essa ideia com dois exemplos. Um, que Chávez estimulou Evo Morales a nacionalizar a Petrobras na Bolívia. Outro, que Chávez disputava protagonismo com Lula nas reuniões do Mercosul.

“Esse atrito oferece uma oportunidade”, analisa o texto (e parece encher-se de esperança) classificado por Fitzpatrick em 2007. Obviamente se refere a uma oportunidade para os EUA causar alguma erosão nas relações do bloco sulamericano.

No entanto, quando Morales nacionalizou o petróleo, nacionalizou também a Petrobras e não só a Petrobras. Brasil se irritou com a ocupação militar das suas unidades, mas um diálogo entre os dois países solucionou a diferença.

Tampouco houve, finalmente, uma disputa de protagonismo entre Lula e Chávez, a tal ponto que o então presidente brasileiro seguiu impulsionando a entrada da Venezuela no Mercosul. O Senado brasileiro ratificou a posição em 2009, com Lula presidente. E sua sucessora, Dilma Rousseff, disse em janeiro último em uma entrevista com meios de comunicação argentinos, entre eles Página/12, que “a Venezuela é um grande produtor de petróleo e gás”. Opinou que o país “tem muito a ganhar entrando no Mercosul, e nós com sua presença”. Também tocou na questão da liderança, mas despersonalizou-a, preferindo colocá-la em um plano binacional argentino-brasileiro por tamanho e desenvolvimento econômico. “Até para os outros países é absolutamente importante que Brasil e Argentina estejam juntos porque não é uma relação de hegemonia a que os dois países se propõem a estabelecer com o resto da América Latina”, declarou.

Na visão norte-americana daquele momento, outro tema a seguir de perto eram os contatos militares venezuelanos e, no caso da Bolívia, os supostos contatos na área da inteligência. Até o Uruguai aparece sob suspeita, porque segundo o telegrama os temas relacionados à segurança, do então presidente Tabaré Vázquez, eram implementados no dia a dia por seu irmão, Jorge, “um ex-membro da guerrilha POR-33”. Vázquez, subsecretário do Interior, teria trabalhado segundo os Estados Unidos com “agentes do serviço secreto recrutados sob o guarda-chuva da central sindical PIT-CNT, dominada pelo Partido Comunista, e treinados em Caracas e Havana”.

Na verdade, a OPR-33 foi mais libertária do que comunista e na PIT-CNT há também peso de socialistas e do Movimento de Participação Popular do ex-tupamaro Pepe Mujica. Jorge Vázquez é o mesmo que denunciou no Uruguai uma campanha por meio do qual teria sido falsamente acusado de armazenar para o Irã em combinação com a Venezuela.

Tradução: Katarina Peixoto



Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17516

Por que uma nova crise financeira é certa

A regulação se estabelece para assegurar que o sistema funcione adequadamente e para proteger as pessoas contra fraudes. Mas a atividade bancária é mais lucrativa quando não há regras, razão pela qual os líderes do setor e seus grupos de pressão seguem tentando impedir os esforços para introduzir reformas. E, em geral, tem conseguido. Os bancos seguem concedendo hipotecas a pessoas desempregadas com alta possibilidade de inadimplência, da mesma forma que faziam antes da crise. Obama sabe onde está o problema, mas também sabe que não será reeleito sem o apoio de Wall Street. É uma questão tempo até que haja outro crack. O artigo é de Mike Whitney.

No dia 9 de agosto de 2007, houve um episódio em um banco francês que desencadeou uma crise financeira que acabaria dissolvendo mais de 30 trilhões de dólares em capital, envolvendo o planeta na maior recessão desde os tempos da Grande Depressão. O evento em questão foi descrito em um discurso do diretor executivo da Pimco (administradora de fundos de investimento), Paul McCulley, na 19° edição da Annual Hyman Minsky Conference on the State of the U.S. and World Economies (Conferência Anual Hyman Minsky sobre o estado dos EUA e das economias mundiais).

Eis um trecho da exposição de McCulley:

“Se tivesse que escolher um dia para assinalar o Momento Minsky, seria o 9 de agosto de 2007. E, de fato, não ocorreu aqui nos EUA. Ocorreu na França, quando o Paribas Bank (BNP) disse que não podia valorar os pacotes de ativos hipotecários tóxicos em três de seus produtos de investimento fora de balanço, e que, em função disso, os investidores, que acreditavam poder sair a qualquer momento, estavam presos. Lembro desse dia tão bem quanto do aniversário do meu filho. E este último ocorre uma vez por ano. Porque o desastre em cadeia começou neste dia. Foi um pouco mais tarde, neste mesmo mês, que cunhei o termo “Sistema Bancário paralelo” durante o simpósio anual do Federal Reserve, em Jackson Hole. Era só o segundo ano que eu assistia ao simpósio. Estava um pouco sobressaltado e basicamente me dediquei a escutar a maior parte dos três dias. Ao final, me levantei e (parafraseando) disse: o que está ocorrendo é bem simples. Temos uma fuga no Sistema Bancário Paralelo e a única dúvida é o quão rápido ela vai se retroalimentar a medida que seus ativos e suas obrigações vão regressando aos balanços do sistema bancário convencional”.

O BNP estava realizando atividades de intermediação creditícia, ou seja, trocava ativos que se constituíam com garantias de pacotes hipotecários (MBS, em sua sigla em inglês) por empréstimos de curto prazo nos mercados de derivativos. Soa tudo muito complicado, mas não é algo distinto do que fazem os bancos quando tomam os depósitos de seus clientes e os investem em ativos de longo prazo. A única diferença neste caso é que estas atividades não estavam reguladas, de modo que não havia nenhum órgão governamental encarregado de determinar a qualidade dos empréstimos ou assegurar que as distintas entidades financeiras estavam suficientemente capitalizadas para cobrir eventuais perdas. Esta falta de regulação acabou por gerar consequências catastróficas para a economia mundial.

Passou quase todo um ano desde que o calote das hipotecas subprime começasse a se propagar em massa, até que o mercado secundário (onde se trocam estes ativos “tóxicos”) colapsou. O problema era simples: ninguém sabia se essas hipotecas eram ou não seguras, de modo que era impossível fixar um preço para os ativos. Isso criou o que o professor de Yale, Gary Gorton chama um problema de e. coli (nome genérico para as bactérias que produzem enfermidades como a salmonela), ou seja, ainda que só uma pequena quantidade de carne seja contaminada, milhões de libras em hamburguers têm que ser retirados do mercado. A mesma regra se aplica aos MBS. Ninguém sabia quais delas continham os maus empréstimos. Assim, o mercado inteiro foi paralisado e trilhões de dólares em garantias começaram a perder valor.

As subprime foram a faísca que acendeu o fogo, mas o mercado das subprime não era suficientemente grande para atingir todo o sistema financeiro. Isso exigir tremores no sistema bancário paralelo. Eis um trecho de um artigo de Nomi Prins que fala de quanto dinheiro está envolvido aqui:

“Entre o ano de 2002 e o início de 2008, aproximadamente 1,4 trilhões de dólares em hipotecas subprime correspondiam a emprestadores que tinham quebrado como New Century Financial. Se esses empréstimos fossem nosso único problema, no papel a solução poderia ter sido que o governo subsidiasse essas hipotecas até um custo máximo destes 1,4 trilhões de dólares. No entanto, e segundo Thomson Reuters, outros 14 trilhões de dólares em produtos financeiros complexos se criaram a partir dessas hipotecas, precisamente porque os fundos de investimento estimularam tanto sua produção quanto sua dispersão. Desde modo, quando se chegou ao máximo de desembolso público em julho de 2009, o governo tinha sido obrigado a gastar 17,5 trilhões de dólares para sustentar a pirâmide de Ponzi de Wall Street, ao invés dos iniciais 1,4 trilhões (Shadow Banking, Nomi Prins,The American Prospect)”.

O sistema bancário paralelo foi criado para que as grandes instituições financeiras que dispunham de muita liquidez tivessem algum lugar onde colocar seu dinheiro no curto prazo com a máxima rentabilidade. Por exemplo, digamos que a Intel tem “sobrando” 25 bilhões de dólares. Pode entregar o dinheiro a um intermediário financeiro como Morgan Stanley em troca de uma garantia (os MBS ou os ABS), e obter em troca um rendimento razoável por seu empréstimo. Mas se aparece algum tipo de problema e se questiona a qualidade da garantia, então os bancos (neste caso, o Morgan Stanley) se vê forçado a realizar cortes e mais cortes que podem acabar colapsando o sistema inteiro. Isso é o que aconteceu no verão de 2007. Os investidores descobriram que muitas das subprimes eram fraudulentas, de modo que bilhões de dólares foram retirados rapidamente dos mercados financeiros e o Federal Reserve teve que intervir para evitar que o sistema entrasse em colapso.

A regulação se estabelece para assegurar que o sistema funcione adequadamente e para proteger as pessoas contra fraudes. Mas a atividade bancária é mais lucrativa quando não há regras, razão pela qual os líderes do setor e seus grupos de pressão seguem tentando impedir os esforços para introduzir reformas. E, em geral, tem conseguido. A lei Dodd-Frank (de reforma do sistema financeiro) está repleta de lacunas e não resolve realmente os problemas cruciais da qualidade dos empréstimos, da disponibilidade de capital e da diminuição dos riscos. Os bancos seguem podendo conceder tranquilamente hipotecas a pessoas desempregadas com muitas possibilidades de não poder pagá-las, da mesma forma que faziam antes da crise. E seguem utilizando-as para produzir complexos instrumentos de dívida sem manter nem sequer 5% do valor original do empréstimo (esta questão segue em disputa, de fato). Além disso, as agências governamentais não poderão forçar as instituições financeiras a incrementar sua capitalização apesar de seguir existindo o perigo de que uma pequena turbulência no mercado possa quebrá-las, colocando em sério perigo o resto do sistema. Wall Street saiu ganhando de novo e agora a oportunidade para um novo impulso regulador já passou.

O presidente Barack Obama entende onde radica o problema, mas também sabe que não será reeleito sem o apoio de Wall Street. É por isso que há apenas duas semanas prometeu no Wall Street Journal que seguiria reduzindo a “gravosa” regulação que afeta a Wall Street. Sua coluna tratava de antecipar-se à publicação do informe final da Comissão de Investigação da Crise Financeira (FCIC, Financial Crisis Inquiry Commission), que possivelmente fará recomendações em defesa da regulação pública do setor. Obama torpedeou esse esforço ao ser colocar ao lado da grande finança. Agora é uma questão tempo até que haja outro crack.

Este é um trecho de um informe especial do Banco Federal de Nova York sobre o sistema bancário paralelo:

“Na véspera da crise financeira, o volume de crédito intermediado pelo sistema bancário paralelo era próximo aos 20 trilhões de dólares, ou seja, quase o dobro dos 11 trilhões que o sistema bancário tradicional intermediava. Hoje, essas mesmas cifras são de 16 trilhões e 13 trilhões, respectivamente. A debilidade dos administradores de fundos não surpreende quando só se dispõe de muito pouco capital para respaldar suas carteiras de ativos e, em troca, os investidores têm tolerância zero em relação às perdas (“Shadow Banking”, Federal Reserve Bank of New York Staff Report)”.

Assim que, quando o Lehman Brothers se desintegrou, entre 4 e 7 trilhões de dólares simplesmente viraram fumaça. Quantos milhões de empregos foram perdidos em função de uma má regulação? Quando se reduziu o PIB, a produtividade e a riqueza nacional? Quantas pessoas vivem agora dos cheques de alimentação estatais, ou dormem ao relento, ou tratam de evitar a falência de seus negócios porque algumas instituições financeiras desreguladas puderam dedicar-se à intermediação do mercado de crédito sem que o governo as supervisionasse?

Ironicamente, o Federal Reserve de Nova York nem sequer tenta negar a origem do problema: a desregulação. Eis o que dizem em seu informe: “Manejar a regulação foi a razão última da existência de muitos bancos no sistema paralelo”. O que isso quer dizer. Quer dizer que Wall Street sabe perfeitamente que é mais fácil ganhar dinheiro sem regras...as mesmas regras que protegem o público da depredação por parte de especuladores e gananciosos.

A única forma de arrumar o sistema é submeter à necessária regulação a qualquer instituição que atue como um banco. Sem exceções.

(*) Mike Whitney é um analista político independente que vive no estado de Washington e colabora regularmente com a revista norteamericana
CounterPunch.


Tradução: Katarina Peixoto




Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17438

Deputado petista acredita que o projeto de codigo florestal proposto é danoso para a questão ambiental

Com a retomada dos trabalhos após as comemorações do Carnaval, a expectativa é que a partir da próxima semana, a Frente Parlamentar Ambientalista comece a realizar reuniões periódicas para estabelecer o debate de projetos voltados ao setor. Para o deputado Fernando Ferro (PT/PE), membro da Frente Parlamentar, atualmente a prioridade é o Código Florestal.

Segundo Ferro, a questão do código diz respeito a toda sociedade, por isso tanto cuidado em analisar o projeto. “Essa matéria vai exigir muita articulação e debate com seguimentos da sociedade para a votação e aprovação. Temos uma comissão criada na Câmara, por isso, devemos ter um debate no sentido de buscar melhorias no relatório, pois entendemos que, hoje, o documento como está apresentado, não é apropriado para a população e pode, inclusive, causar danos na questão ambiental do País” afirmou o deputado.

Apesar da concentração de esforços para alterar e aprovar o documento, o parlamentar explica que também é necessário atualizar a legislação ambiental brasileira, além de debater outros temas. “É preciso atualizar algumas matérias nessa área e ao mesmo tempo, ampliar nossas preocupações em questões como o desenvolvimento sustentável, o combate ao desmatamento, a diminuição de emissores de gazes poluentes e a todos os processos que causam alterações climáticas com conseqüências não só para o Brasil, mas para toda humanidade”, explicou Fernando Ferro.

O deputado afirmou, ainda, que um seminário deve ser realizado, para que o debate das questões ambientais não fique restrito ao Congresso, mas que seja uma reflexão em conjunto com diversos segmentos da sociedade. (Janary Damacena – Portal PT)

RádioPT - Clique no player abaixo para ouvir a reportagem com Fernando Ferro.

Petista quer prioridade total ao Código Florestal by PTBrasil2



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/parlamentos-6/petista-quer-prioridade-total-ao-codigo-florestal-47111.html

Por Marcos Coimbra - Sociólogo e Presidente do instituto Vox Populi
Correio Braziliense - 13/03/2011

Se formos em frente na adoção do voto distrital, é bom prestar atenção no risco de termos distritos "artificiais", criados com base em cálculos que levam em conta apenas as vantagens que seus autores pensam auferir do modelo


Pelo que se lê na imprensa, uma das propostas mais cotadas na comissão do Senado para a reforma política é a que altera nossa legislação eleitoral. O voto distrital está em alta, especialmente na versão do chamado “distritão”. Depois de quase 80 anos, parece que os dias do voto proporcional estão contados.

Desde quando se estruturou como país independente e até a década de 1930 (salvo durante o pequeno intervalo em que esteve em vigor a chamada “Lei do Terço”), o Brasil teve voto distrital. Conhecemos, portanto, seus alcances e limites, o que pode nos ajudar nas discussões atuais. Sempre, é claro, lembrando as imensas diferenças que existem entre os dois momentos.

A história do voto distrital começa, por aqui, em 1855, com a promulgação da Lei nº 842, conhecida como “Lei dos Círculos”. Com ela, a elite política do Império pensava aumentar a representatividade do processo eleitoral, aproximando-o dos votantes (não esquecendo que o voto não era universal, dele sendo excluídos mulheres, escravos e incapazes), e evitar que “as maiorias provinciais sufocassem as maiorias locais”, como afirmou o Marques do Paraná, no Senado, em julho daquele ano.

O que o notável presidente do Conselho de Ministros buscava era um mecanismo que melhorasse a representação das diferentes opiniões existentes no país, que seria inibida se apenas as maiorias de cada província fossem levadas em conta. O voto majoritário provincial (igual ao distritão de hoje, diga-se de passagem) refletiria equivocadamente a realidade, pois em um ou mais distritos a maioria local poderia ser outra. Era preciso, portanto, criar uma forma que permitisse que essas opiniões se expressassem, impedindo a ditadura da maioria.

Na eleição dos deputados gerais (equivalentes aos federais de hoje), o sistema estabelecia que um deputado seria eleito por distrito — o “círculo eleitoral”. Esses tinham como referência as freguesias, sendo sua sede a cidade ou vila mais central, na qual os votantes se reuniam em um colégio (em sentido literal) para escolher quem os representaria. Desejavelmente, a população de homens livres de cada distrito seria igual.

Como se vê, não se inventavam distritos arbitrariamente. Ao contrário, as freguesias tinham significado real, e, embora fossem unidades eclesiásticas, eram reconhecidas pelo Estado para fins administrativos. Ninguém desenhou no mapa, pensando na sua conveniência, um distrito para chamar de seu.

Se formos em frente na adoção do voto distrital, é bom prestar atenção no risco de termos distritos “artificiais”, criados com base em cálculos que levam em conta apenas as vantagens que seus autores pensam auferir do modelo. O gerrymandering, nome que os americanos dão às chicanas usadas para manipular fronteiras entre distritos, teria que ser repelido com rigor.

Como seriam, no entanto, definidos distritos “reais”? As freguesias não existem mais, nem nada parecido. Diferentemente de outros países, nossa vida econômica, social, cultural, política e administrativa nunca girou em torno de distritos (ou quaisquer outras formas de regionalização) que pudessem ser considerados “naturais”. Seria estranho que, apenas na hora das eleições, alguns municípios fossem juntados a outros para escolher um mesmo representante.

A Lei nº 842, ao propor distritos de tamanho tão igual quanto possível, aplicou o clássico princípio de “cada cabeça, um voto”, que é comum nos países que têm voto distrital. Será que é isso que pensam seus defensores hoje?

O tamanho das bancadas estaduais na Câmara é o oposto do que teríamos se o adotássemos. Nossa Constituição super-representa os estados menores (fixando o número mínimo de oito cadeiras para cada um) e sub-representa os grandes (fixando o máximo de 70). Hoje, um deputado de São Paulo representa, em média, cerca de 450 mil eleitores, enquanto outro de Roraima, pouco mais que 30 mil. O voto distrital corrigiria essa distorção, mas à custa de uma drástica redução das bancadas de Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Resta saber se o atual Congresso a aprovaria.

Tentando escapar desses problemas, circula na comissão senatorial a ideia do “distritão”. Ela nada mais é que a adoção pura e simples do voto majoritário nas eleições de deputados. Torcendo os conceitos, os estados seriam considerados distritos, nos quais se elegeriam, por maioria, todos os deputados a que têm direito pela legislação em vigor. Parece-se em muito com o que tivemos de 1846 a 1855.

É o pior dos mundos. Vão-se embora os problemas do voto proporcional, mas, também, as virtudes (fortalecimento dos partidos, representação de minorias, voto ideológico, etc.). Cria-se algo que não traz as vantagens do voto distrital (proximidade entre eleitor e eleito, compromisso do eleito com seu eleitorado, etc.) e que consagra o predomínio do indivíduo sobre os partidos.

Saímos do ruim e vamos para o pior. Ainda bem que o Marquês do Paraná não está aqui para ver o que fazem os estadistas do presente.




Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/3/13/distritos-e-distritoes

O “Distritão” será o fim dos partidos políticos e o colapso do modelo republicano

A reforma política, tema recorrente nas últimas décadas, está de novo na pauta do parlamento brasileiro. E, a julgar pelos primeiros movimentos desencadeados a partir das mesas diretoras da Câmara e do Senado, corre sérios riscos de enveredar mais uma vez pelo perigoso caminho da galhofa.

Apesar do debate infindável e das proclamações generalizadas de apoio, não se consegue aprovar uma reforma política digna deste nome. Ao mesmo tempo, nunca se disputam duas eleições sob a mesma norma legal. Para contemplar o curto prazo dos interesses dominantes, os surtos de casuísmo também são recorrentes, o que só faz agravar a crise da representação.

A escalação dos indicados pelos partidos para a Comissão Especial da Reforma Política na Câmara dos Deputados, salvo as exceções de praxe, funcionou como sinal de alerta. Está lá, ostentando o galardão de condutores da mudança, a nata do intestino grosso da pequena política. Maluf, Newtão, Valdemar Costa Neto, Jose Guimarães, Eduardo Azeredo, entre outros, tendo a figura espantosa do herói da luta contra o "Fora Renan", Almeida Lima, como presidente da comissão.

No Senado, o mesmo diapasão. O presidente da casa, José Sarney, foi rápido no gatilho. Designou comissão e delimitou campo para o debate. Afinal, o patrimonialismo oligárquico, revitalizado nas abas do lulismo, tem muitos interesses a zelar. E seu líder maior, que já foi chamado no passado de "vanguarda do atraso", não dorme no ponto. Agora, reeleito com o apoio de 21 dos 22 partidos com representação na casa (viva o PSOL, gloriosa exceção), ele aspira definir os rumos da reforma.

A comissão do Sarney, ancorada na dobradinha Collor-Dornelles, é a plataforma de lançamento do chamado "Distritão" (*), uma aberração sem tamanho. Apresentado como panacéia universal, ele representa, na realidade, o agravamento de todas as distorções a nossa vida política. Uma espécie de apoteose do casuísmo.

Aprovado o "distritão", a própria idéia de partido político perde sentido. Idéias, valores, projetos, programas, coisas que articulam representantes eleitos, coletivos de filiados, o cidadão eleitor que se reconhece em tais propostas, as lealdades e compromissos capazes de fornecer sentido e previsibilidade ao processo político, tudo isso acaba. Será o supra-sumo da personalização na política. Os partidos, se sobreviverem, serão apenas cartórios para o registro de candidatos. Já não valem quase nada, valerão menos ainda.

A "fulanização" total da representação deve ampliar o quadro de fragmentação partidária. As tratativas da governabilidade, ao invés de dezenas, passarão, talvez, por centenas de partidos. Se não 513 partidos pelo menos meio milhar de prima-donas, proprietários privados dos votos dos brasileiros. O peso desigual dos votos entre cidadãos das diferentes regiões seguirá do mesmo tamanho, pois os distritos eleitorais, estados da Federação, tão desiguais em eleitorado e população, seguirão os mesmo.

A proposta, que tem sido chamada com propriedade de "Emenda Tiririca", beneficia pessoas, fulanos, indivíduos já postos em situação privilegiada. Ou seja, as celebridades dos mais variados tipos, aqueles que já estão instalados nas alavancas do poder e, por último, quem tiver muito dinheiro. Aliás, sobre este último ponto, vale salientar a opinião do ex-ministro José Dirceu: "o "Distritão" é o puro poder econômico. Se elege quem tem mais dinheiro. Ponto Final". Declaração categórica de quem é do ramo, conhece do assunto. Afinal, no governo ele cuidou sempre de fornecer carne aos leões.

Gato escaldado, barbas de molho. Se o surto atual de debates vier a produzir uma nova farsa, ela será mais destrutiva do que as anteriores. A catástrofe que nos ameaça, o "Distritão", pode provocar uma aceleração vertiginosa da crise da representação política, com a falência total dos partidos e o colapso terminal do modelo republicano. No interior do parlamento e fora dele, nos movimentos e estruturas intermediárias que se ocupam com o debate sério do tema, está na hora de ligar o sinal de alerta: o "Distritão" é o fim da picada.

(*) Termo já usado para definir a proposta, defendida pelo vice-presidente da República Michel Temer, de eleger pura e simplesmente os mais votados, até o limite de vagas, extinguindo o atual critério do quociente eleitoral.

Léo Lince é sociólogo.



Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5567/45/

Alckmin x Cerra: guerra está feia também na Segurança

O Conversa Afiada reproduz post de Rodrigo Vianna, no Escrevinhador:

Alckmin x Serra: vídeo mostra que guerra está feia também na área de Segurança


por Rodrigo Vianna


Peço a atenção dos leitores para mais um capítulo da guerra entre os tucanos de São Paulo (sobre a disputa entre os “cosmopolitas” e os “caipiras”, já escrevi aqui).


Primeiro, algumas informações de fundo (na sequência trarei uma novidade factual, na forma de um vídeo que circula pela internet desde terça à noite). O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, é dos poucos remanescentes da equipe de Serra que foram mantidos por Alckmin. Como se sabe, Serra e Alckmin travam uma batalha surda pelo controle do PSDB paulista.


Na época em que Alckmin montava seu gabinete, jornal paulista vazou a informação (plantada sabe-se lá com que interesses, mas podemos imaginar) de que a saída de Ferreira Pinto significaria a vitória da “banda podre” da polícia paulista. A reportagem saiu na “Folha” (o jornal costuma estar à disposição para as manobras de Serra), e foi assinada por Mario Cesar Carvalho. Guardem esse nome.


Depois disso, Alckmin ficou de mãos amarradas: se tirasse Ferreira Pinto, ganharia a pecha de beneficiar a “banda podre”. Se mantivesse Ferreira Pinto, teria cedido a pressões e manobras de um homem nomeado pelo antecessor Serra.


Alckmin optou pela segunda decisão. Mas mandou um recado a Ferreira Pinto (e a Serra), nomeando para a Secretaria de Transportes Saulo Abreu de Castro. Saulo era o homem forte da Segurança na gestão anterior de Alckmin como governador (2003/2006). É como se Alckmin dissesse a Ferreira Pinto (e, indiretamente, a Serra): você ganhou o primeiro “round”, mas a qualquer momento o fantasma de Saulo pode avançar sobre a Segurança de novo!


Pois bem. Na última semana de fevereiro, Ferreira Pinto foi bombardeado. Lembram-se da imagem da escrivã humilhada por uma equipe da Corregedoria de Polícia? Assessores de Ferreira Pinto dizem, em off, que o vídeo pode ter partido da turma de Saulo – interessado em desgastar o atual titular da Segurança.


Ferreira Pinto foi para o contra-ataque. Como?


No último dia 1 de março, o jornal “Folha de S, Paulo”, em boa reportagem de Mario Cesar Carvalho (!), trouxe a informação de que um assessor da secretaria de Segurança recebia grana como consultor “vendendo” informaçõe sigilosas para particulares. O nome do assessor: Tulio Kahn. Quem nomeou Túlio para o cargo, no mandato anterior de Alckmin? Saulo de Castro.


Parece complicado esse emaranhado, mas é importante prestar atenção: Saulo(=Tulio Khan)=Alckmin X Ferreira Pinto (=Serra).


Ontem, começou a circular um vídeo que mostra o secretario de Segurança Ferreira Pinto (aquele, nomeado por Serra, e mantido por Alckmin) circulando por um shopping de São Paulo. A imagem é do dia 25 de fevereiro (4 dias antes da reportagem da “Folha” ser publicada). Ferreira Pinto circula, com um envelope na mão, até que chega um homem, de jaqueta branca. Quem é esse homem? O jornalista Mario Cesar Carvalho.



A imagem mostra que o jornalista eo secretário andam juntos até um café, sentam numa mesa e conversam.


Qual a conclusão de quem acompanha essa área de Segurança? O secretário Fereira Pinto é que teria sido a fonte da “Folha”. Ou seja: Ferreira Pinto forneceu munição contra Tulio Khan, para atingir Saulo (o rival dele, que pode ocupar a secretaria de Segurança).


Hoje, jornalistas perguntaram a Ferreira Pinto se ele de fato se encontrou com o repórter da “Folha” no shopping. O secretário admitiu o encontro, mas não revelou o que havia no envelope, nem deu mais detalhes.


Antes que se façam insinuações feias, ninguém imagina que o envelope contivesse pagamento ou dinheiro. Nada disso. Imagina-se que continha informação que o Mario Cesar deve ter utilizado na reportagem.


O jornalsta da “Folha” não falou sobre o caso. E seu fosse ele não falaria. É o princípio básico do sigilo da fonte. Mario Cesar não fez nada de errado, ao contrário. O jornalista estava atrás de uma informação. Normalmente, é quando os políticos brigam que as informações circulam.


O incrível é outra coisa: um secretário vazar para o jornal informação que, no fim e ao cabo, atinge o próprio governo em que ele trabalha!


Mais um indcativo de como as relações enre os tucanos estão envenenadas.


Por último, algumas observações adicionais…


Por que um secretário se encontraria com um jornalista num shopping, e não no gabinete na secretaria? Talvez, para evitar que assesores vissem o jornalista, e depois contassem a Tulio Khan.


O vídeo que compromete Ferreira Pinto vazou na internet num blog do Vale do Paraíba (base política de Alckmin); o titular do blog chama-se João Alkimin (!!!!).


É o estilo de Geraldo Alckmin. Deu o troco usando um blog do interior, para fritar Ferreira Pinto em fogo brando. Nada de escândalo. O que interessa é apagar – aos poucos e sem fazer marola – os vestígios do serrismo no governo paulista.


Eles se amam. E olhe que 2014 ainda está longe. Mas no meio do caminho há 2012.


Mais informações você encontra:

- no “Flit Paralisante;

- ou no “Cabeça de Bacalhau.


SECRETARIA FALA EM “ESPIONAGEM”


A Secretaria de Segurança de São Paulo publicou, há pouco, nota sobre o caso.


“A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informa


1) É grave a obtenção e a divulgação de imagens do circuito interno de um shopping center de São Paulo. Não por seu conteúdo, mas pelo forte indício de que grupos criminosos as utilizaram para espionar o primeiro escalão do Estado e o trabalho legítimo da imprensa, protegido pela Constituição Federal da República.


2) As imagens mostram um encontro ocorrido em um lugar público entre o secretário de segurança de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto e um jornalista de importante veiculo de comunicação.


3) Não há nada de suspeito na conversa entre ambos. Suspeito seria um encontro do secretário com criminosos comuns ou funcionários públicos corruptos.


4) A imagem de pessoas só podem ser utilizadas se houver expressa autorização ou por ordem judicial. Portanto, o vazamento das imagens produzidas pelo circuito interno do Shopping Higienópolis constitui crime.


5) Deve-se, aliás, à continuidade do combate ao crime e à corrupção policial a queda histórica dos índices de criminalidade em São Paulo. O Estado de São Paulo atingiu o menor índice de homicídios da história recente. É o que apontam as Estatísticas da Criminalidade divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Novamente o crime caiu em São Paulo e chegou-se, em 2010, a 10,47 homicídios dolosos para cada 100 mil habitantes. Em 1999, quando a taxa era de 35,27/100 mil, alcança a significativa marca de 70,3%. De lá para cá, os índices têm mostrado queda consistente. A taxa de 10,47, registrada em 2010, é menor do que a metade da taxa de homicídios brasileira, de 24,5 para cada 100 mil habitantes/ano.


6) Tal avanço só foi possível pela sucessão de políticas de segurança virtuosas, acompanhadas, sempre, do combate implacável à corrupção e à violência policial. Desde 2009, 298 policiais foram demitidos a bem do serviço público. Outros 324 foram expulsos ou exonerados.


7) Vale ressaltar que, desde a recondução do secretário Ferreira Pinto ao cargo de secretário da Segurança, o inconformismo de uma pequena parcela de policiais prejudicados com a austeridade da política atual de segurança se intensificou.”



Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/video/2011/03/10/alckmin-x-cerra-guerra-esta-feia-tambem-na-seguranca/

Antes que desconstruam Furtado. Celso e FHC: dois Brasis

Saiu na Folha (*) de sábado, na pág. B2, uma “crítica” ao quarto volume da coleção “Arquivos Celso Furtado”, do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, com a íntegra do Plano Trienal.

Foi o plano que o grande presidente João Goulart encomendou a Furtado, em 1962.

O Plano era rigoroso, para conter a inflação, com um ambicioso programa de reformas que só seriam, em parte, realizadas no Governo do Nunca Dantes.

Furtado queria a reforma agrária.

(Num programa “Roda Viva” – quando ainda não era o “Roda Morta” -, Evandro Lins e Silva, que também foi ministro de Jango, disse que se fosse levado a apontar uma única causa para queda de Goulart diria que foi a reforma agrária.)

(É o que confirma Maria da Conceição Tavares, na mesma “crítica”.)

Furtado queria o aumento real do salário – como conseguiu o Nunca Dantes.

Enfatizar a Educação – idem.

Libertar o Nordeste do subdesenvolvimento – idem, o Nunca Dantes.

E renegociar a dívida externa (o Nunca Dantes emprestou ao FMI).

Leia trechos dos objetivos do Plano:


3. Criar condições para que os frutos do desenvolvimento se distribuam de maneira cada vez mais ampla pela população, cujos salários reais deverão crescer com taxa idêntica à do aumento da produtividade do conjunto da economia, demais dos ajustamentos decorrentes da elevação do custo de vida;

4. Intensificar substancialmente a ação do Governo no campo educacional, da pesquisa científica e tecnológica, e da saúde pública, a fim de assegurar uma rápida melhoria do homem como fato de desenvolvimento e de permitir o acesso de uma parte crescente da população aos frutos do progresso cultural;

5. Orientar adequadamente o levantamento dos recursos naturais e a localização da atividade econômica, visando a desenvolver as distintas áreas do país e a reduzir as disparidades regionais de níveis de vida, sem com isso aumentar o custo social do desenvolvimento;


6. Eliminar progressivamente os entraves de ordem institucional responsáveis pelo desgaste de fatores de produção e pela lenta assimilação de novas técnicas em determinados setores produtivos. Dentre esses obstáculos de ordem institucional, destaca-se a atual estrutura agrária brasileira, cuja transformação deverá ser promovida com eficiência e rapidez;


7. Encaminhar soluções visando a refinanciar adequadamente a dívida externa, acumulada principalmente no último decênio, a qual, não sendo propriamente grande, pesa desmesuradamente no balanço de pagamentos por ser quase toda a curto e médio prazos. Também se tratará de evitar agravação na posição de endividamento do país no exterior, durante o próximo triênio;


O Plano foi o alicerce para Jango lançar as Reformas de Base que provocaram a sua queda.

A “crítica” da Folha (*) observa que o lançamento do Plano foi “utilizado como peça de campanha política”, já que seis dias depois se realizava o plebiscito que derrotou o Parlamentarismo (velho sonho dos conservadores brasileiros).

(Cerra, por exemplo, é um parlamentarismo ortodoxo – quando está na oposição.)

Primeiro, que o plebiscito deu: Jango e o presidencialismo 10 x 0 Parlamentarismo dos militares, udenistas, tucanos e PiG (**).

Não foi o Plano que derrotou a quimera conservadora.

A “crítica” também se inclina a observar que o Plano foi “recessivo”.

O Plano não teve um ano de vida.

A esquerda o chamava de “ortodoxo”, a direita, de comunista.

Em 1963, Furtado já estava de volta à Superintendência da SUDENE.

(Ao saber da intervenção militar, Furtado incorporou-se ao Governo de Miguel Arraes, em Pernambuco, e foi cassado na primeira lista dos militares de 1964.)

Quem jogou o Brasil numa recessão aguda foi a dupla Campos-Bulhões, do primeiro Governo militar.

Antes que se “releia” o Plano Trienal com olhos de hoje e da perspectiva conservadora de hoje convém estabelecer que Furtado é de um Brasil, que, como dizia o contemporâneo (e liberal) José Guilherme Merquior, se imaginava “um outro Ocidente”.

Ou, nas próprias palavras de Furtado, lutou a vida inteira para fugir à alienação “do tipo ptolomaico, ou seja, a incapacidade para pensar a própria posição em um sistema de forças.”

(Este ansioso blogueiro deve essas citações a Juarez Guimarães, autor do ensaio “A trajetória intelectual de Celso Furtado”, no livro “Celso Furtado e o Brasil”, editora Fundação Perseu Abramo, organizado por Maria da Conceição Tavares, pag. 20.)

Pensar a sua própria posição em um sistema de forças.

Sobre isso, caiu às mãos deste ansioso blogueiro imperdível leitura: “When China Rules the World – the end of the Western World and the birth of a new global order”.

Quando a China mandar no pedaço – ou o fim do Mundo Ocidental e o nascimento de uma nova ordem global.

O autor é o inglês Martin Jacques, jornalista e professor, que pretendeu “explicar como o crescimento meteórico da China se estenderá muito além do âmbito econômico, ao deslocar o Ocidente e criar uma ordem global inteiramente nova”.

No Capítulo V, “A Modernidade Contestada”, diz Jacques:

“Por toda a primeira metade do Século XX, o pequeno conjunto de países que tinha começado a crescer no Século XIX continuou a dominar a elite das nações industrializadas, sem aceitar novos sócios no clube.

Foi como se o padrão do mundo pré-1914 se tivesse congelado, e a porta de entrada se trancasse aos que perderam a chance no século anterior.


Nos anos 50, a escola da “teoria da dependência” generalizou essa proposição - era impossível agora um país quebrar o gelo e entrar para o clube das nações avançadas.”

Navalha
A “teoria da dependência” do Fernando Henrique Cardoso, como se sabe, é o único “corpo teórico” que os conservadores brasileiros conseguiram produzir, desde Vargas.

O Padim Pade Cerra, como se sabe, não escreveu nada.

O Brasil e a China do Jacques desmoralizaram o “teórico da dependência”.

Um mundo o separa de Furtado.

São dois Brasis – o do Furtado e o do FHC.

Antes que se tente desconstruir Furtado.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.




Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/03/13/antes-que-desconstruam-furtado-celso-e-fhc-dois-brasis/

domingo, 13 de março de 2011

Por que o Bonner e o Kamel ignoram o Ricardo e o Lula. A maior Olimpíada de Matemática do mundo

[Postado na fonte em 7/abril/2010 18:33]


Ricardo Oliveira e outro nordestino: que horror !

^ Ricardo Oliveira e outro nordestino: que horror !


Em 2005, a professora Sueli Druck levou ao Presidente Lula os vencedores de um restrito concurso de matemática da sociedade brasileira de Matemática.

O concurso, duríssimo, tinha a finalidade de escolher os estudantes brasileiros que competiriam em maratonas internacionais de Matemática.

O presidente Lula perguntou se havia ali algum estudante de escola pública.

A professora respondeu que não: eram todos de escolas pagas.

Por que não ter estudantes de escolas públicas ?, perguntou Lula.

Ontem, no Rio, quando o Globo e o jornal nacional destruíram o Rio , Sueli Druck – professora de Matemática da Universidade Federal Fluminense e aluna do magnífico Colégio de Aplicação da UFRJ – e o presidente Lula entregaram 300 medalhas de ouro aos alunos que mais se destacaram na Olimpíada de Matemática de Escolas Públicas Brasileiras.

E aos professores penta-campeões, ou seja, professores que há cinco anos colocam os alunos nas melhores posições.

Sabe, amigo navegante, quantos alunos competiram este ano ?

Dezenove milhões e meio de estudantes !

É a MAIOR Olimpíada de Matemática do MUNDO !

Participam estudantes de 5.500 municípios e de 44 mil escolas públicas de todo o país – municipais, estaduais e federais.

As provas são para três níveis de estudantes.

Há medalhas de ouro, prata e bronze.

Há um programa de “jovens talentos”, em associação com o CNPQ, do Ministério da Ciência e Tecnologia, em laboratórios em 888 municípios brasileiros.

O objetivo é encaminhar os talentos que a Olimpíada revela para cursos de preparação em atividades de tecnologia de ponta.

Um verdadeiro horror !, amigo navegante.

Dar aos pobres das escolas públicas acesso a tecnologia de ponta, a partir da Matemática.

Que horror !

O tetra-campeão da Olimpíada de Matemática é o Ricardo Oliveira, filho de lavradores do interior do Ceará.

O Ricardo tem uma distrofia e é cadeirante.

Penta-campeão.

Claro que o Bonner e o Ali Kamel não podiam falar do Ricardo, ontem.

Era preciso destruir o Rio e o Lula.

Clique aqui para ouvir a entrevista.

Paulo Henrique Amorim


Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/03/13/antes-que-desconstruam-furtado-celso-e-fhc-dois-brasis/

Maria do Rosário ganhou: Johnbim vai embora. Dilma é pelos Direitos Humanos

Se tem alguém que entende de Nelson Johnbim, além do embaixador americano, é a notável colonista (*) Eliane Cantanhêde, especialista em Ar, da Folha (**).

Cantanhêde diz que Johnbim vai embora até julho, porque detesta Guimarães Rosa.

Foi ela quem disse que o Lula precisava mais do Johnbim do que o Johnbim do Lula.

Lula deixou Johnbim de herança para fazer dele o Marechal Lott da JK de saias.

Só que a JK de saias não é o JK.

E ela prefere a Maria do Rosário, com quem o Johnbim não ia “c… e andar”.

A divergência entre a Presidenta e o Ministro da Defesa pró-americano não é sobre Guimarães Rosa.

É sobre a Comissão da Verdade, os Direitos Humanos.

Como se sabe, se pudesse, Johnbim faria como o General Videla, da Argentina, hoje devidamente encarcerado, que diante das acusações de tortura, criou o slogan “os argentinos são direitos e humanos”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.


Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/03/10/maria-do-rosario-ganhou-johnbim-vai-embora-dilma-e-pelos-direitos-humanos/

Com Palocci no Planalto, ortodoxos voltaram a ganhar força

A decisão da presidenta Dilma Rousseff de promover um corte cirúrgico de 50 bilhões no Orçamento da União confirma que os tecnocratas neoliberais estão com a bola toda no início do novo governo. Eles já bombardearam a proposta de aumento real do salário mínimo, aplaudiram a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros e, agora, festejam os cortes nos gastos púbicos. Tudo bem ao gosto das elites rentistas e para delírio da mídia do capital, que agora decidiu bajular a nova presidenta.

Na justificativa para o corte dos gastos, o ministro Guido Mantega, tão duro contra o sindicalismo na questão do salário mínimo, mostrou-se dócil diante do "deus-mercado". Sem meias palavras, ele afirmou: "Nós estaremos revertendo todos os estímulos que fizemos para a economia brasileira entre 2009 e 2010... Nós já estamos retirando esses incentivos e agora falta uma parte deles que estão sendo retirados do Orçamento de 2011, que são os gastos públicos, que ajudaram a estimular a demanda".

Um triste regresso ao "malocismo"?

Numa linguagem empolada, típica de quem esconde as maldades, Mantega argumentou que "este ajuste, esta consolidação fiscal, possibilitará que nós alcancemos o superávit primário" – outro termo que causa orgasmos nos banqueiros e rentistas. A União, explicou o ministro, já teria reservado "quase R$ 81,8 bilhões" somente para o pagamento dos juros – isto é, o dobro dos investimentos orçamentários destinados ao Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC (de R$ 40,15 bilhões).

Na prática, as decisões recentes do governo parecem indicar um triste regresso ao "malocismo" – uma mistura de Pedro Malan, czar da economia no reinado de FHC, e Antonio Palocci, czar da economia no primeiro mandato de Lula. Os seus efeitos poderão ser dramáticos, inclusive para a popularidade da presidenta Dilma. De imediato, as medidas de elevação dos juros e redução dos investimentos representam um freio no crescimento da economia e, conseqüentemente, na geração de emprego e renda.

Suspensão de concursos e outras maldades

Além de reduzir o papel do Estado como indutor do crescimento, o corte drástico de R$ 50 bilhões no Orçamento da União terá impacto nos serviços públicos prestados à população. O governo já anunciou a suspensão dos concursos para a contratação de novos funcionários e protelou a nomeação de 40 mil servidores aprovados em seleções anteriores. Para Maria Thereza Sombra, diretora da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursados, estas medidas levarão ao "estrangulamento da máquina".

Empolgado com a retomada de alguns dogmas neoliberais, O Globo diariamente dá manchete às medidas de "ajuste fiscal" do ministro Mantega. Na edição de 10 de fevereiro, o jornal festejou: "O corte de R$ 50 bilhões nas despesas do Orçamento de 2011 deixará alguns ministérios a pão e água". No estratégico Ministério da Ciência e Tecnologia, por exemplo, o corte previsto é de R$ 1,3 bilhão. Até o sistema de vigilância ambiental, alardeado após a tragédia carioca das chuvas, corre sério risco de ser enterrado.

A ditadura do capital financeiro

Como se observa, as perspectivas no início do governo da presidenta Dilma Rousseff são preocupantes. Ainda é cedo para se fazer qualquer avaliação mais conclusiva, taxativa. Mas há indícios de que as velhas teses ortodoxas voltaram a ganhar força no Palácio do Planalto, sob o comando do todo-poderoso ministro Antonio Palocci. Na prática, a opção por retomar a desgastada ortodoxia neoliberal, com aumento dos juros e cortes dos investimentos, evidencia a força da ditadura financeira no Brasil.

Esta opção, porém, não tem nada de racional sob o ponto de vista dos trabalhadores. Foram exatamente as medidas heterodoxas de estímulo ao mercado interno, adotadas no segundo mandado de Lula, que evitaram que o país afundasse na crise mundial que abala o capitalismo desde 2008. Nas eleições de 2010, o povo votou na continuidade e no avanço daquele modelo econômico de desenvolvimento e não na regressão à ortodoxia neoliberal.

Altamiro Borges é jornalista.

Blog: http://altamiroborges.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de março de 2011

Keynes já previa...

BELLUZZO: 'KEYNES JÁ PREVIA A NECESSIDADE DE UM COMITE INTERNACIONAL PARA ESTABILIZAR OS PREÇOS DAS MATÉRIAS PRIMAS E ALIMENTOS"

'No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores... e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao caprichos e à sanha especulativa dos mercados futuros (...) na posteridade da 2ª guerra mundial Keynes sugeriu a constituição de um comitê internacional encarregado de estabilizar os preços das matérias primas e alimentos. Esse comitê, composto por países produtores e consumidores, teria o apoio da Clearing Union, o sistema público de financiamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos, envolvendo responsabilidades dos países deficitários e superavitários. Nada mais atual" (Luiz Gonzaga Belluzzo, especial para Carta Maior; nesta pág)

(Carta Maior; 6º feira, 11/03/2011)