sexta-feira, 11 de março de 2011

Cerco midiático a Cuba é tema de debate

Organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, em parceira com o sítio Opera Mundi, o Comitê pela Libertação dos 5 Patriotas Cubanos e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), o evento discutirá a atual realidade de Cuba – seus avanços, problemas e desafios. Também debaterá os padrões de manipulação da mídia, que omite as conquistas da revolução cubana e realça apenas suas dificuldades. O debate ocorre dia 15 de março, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Blog do Miro

Na próxima terça-feira, dia 15 de março, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, Centro), será realizado o debate “O cerco midiático contra Cuba”. O evento contará com as presenças dos jornalistas Mario Augusto Jakobskind, membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do conselho curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC); Fernando Morais, autor do livro “A Ilha” e de várias biografias de sucesso; e do cubano Ariel Terrero Escalante, editor da Revista Bohemia e comentarista econômico do programa de televisão “Buenos Días” [*].

Organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, em parceira com o sítio Opera Mundi, o Comitê pela Libertação dos 5 Patriotas Cubanos e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), o evento discutirá a atual realidade de Cuba – seus avanços, problemas e desafios. Também debaterá os padrões de manipulação da mídia, que omite as conquistas da revolução cubana e realça apenas suas dificuldades.

Somado ao desumano bloqueio econômico imposto pelos EUA desde o início dos anos 1960, a cerco midiático a Cuba serve para alimentar preconceitos e visões unilaterais. Nas capas da Veja, Folha, Estadão e O Globo ou nos comentários dos colunistas das emissoras de televisão e rádio, Fidel Castro e outros líderes cubanos são apresentados como demônios e Cuba, como um inferno. Seus triunfos em várias áreas sociais simplesmente são relegados. Colonizada, a mídia nativa repete os ataques do “império”. O debate pretende aprofundar a reflexão crítica sobre o processo cubano, que gera amores e ódios na sociedade brasileira. Após o debate, será feito o lançamento do livro “Cuba, apesar do bloqueio”, do jornalista Mario Augusto Jakobskind.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17528&editoria_id=6

A batalha contra os sindicatos e funcionários públicos é anunciada

Em um informe publicado dia 8 de janeiro, a revista anunciou a "próxima batalha" liberal: o confronto com os sindicatos do setor público. A tese da revista pode ser resumida em três pontos: os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; para reduzir o gasto, é preciso reduzir efetivos, salários e sistemas de pensões dos funcionários; os governos ganharão a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público. Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. O artigo é de Bernard Cassen.

A revista The Economist é onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as teses ultraneoliberais. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que The Economist preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público”.

A tese da revista é de uma simplicidade evangélica e pode ser resumida em três pontos: a) todos os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; b) para reduzir o gasto público, é preciso reduzir os efetivos, os salários e os sistemas de pensões dos funcionários; c) os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes.

Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. Tampouco que estes déficits aumentaram devido aos presentes sob a forma de isenções fiscais outorgadas aos ricos. Nem sequer se deixa claro que, em troca de seu salário, os funcionários prestam serviços indispensáveis para o bom funcionamento da sociedade.
Em particular os professores, atacados muito especialmente neste informe
.

O jornalista que escreveu um dos artigos deve estar muito desinformado sobre as reais condições de trabalho dos professores para ter coragem de escrever que “65 anos deveria ser a idade mínima para que essa gente que passa a vida em uma sala de aula se aposente”.

The Economist festeja que vários governos europeus – dois deles dirigidos por “socialistas”, Grécia e Espanha – tenham rebaixado os salários de seus funcionários e que, em toda a União Europeia haja “reformas” – seria mais justo falar de contrarreformas dos sistemas de pensões já realizadas ou em vias de realização.

Por ideologia, os liberais são hostis aos funcionários e demais assalariados do setor público. Em primeiro lugar porque privam o setor privado de novos espaços de lucro. Em segundo porque, protegidos por seu estatuto, podem ser socialmente mais combativos que seus companheiros do setor privado, até o ponto de que, às vezes, fazem greves “por delegação” e representam os trabalhadores do setor privado que não podem fazê-las.

Esta solidariedade é a que os governos querem destruir a todo custo para reduzir a capacidade de resistência das populações contra os planos de ajuste e de austeridade implementados em toda a Europa. Os déficits públicos constituem assim um pretexto inesperado para modificar as relações sociais conflitivas em detrimento do mundo do trabalho.
Defender os serviços públicos é defender o único patrimônio do qual dispõem as categorias mais pobres da população. A aposta na caça aos funcionários públicos e a seus sindicatos proposta por The Economist não é apenas financeira. É política ou ideológica.

Versão em espanhol - Le Monde Diplomatique

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17509

A Presidente recebe centrais Sindicais nesta sexta (11/03/11)

A presidenta Dilma Rousseff se aproxima cada vez mais dos trabalhadores, tanto que recebe nesta sexta-feira (11) os representantes das centrais sindicais. Na pauta dos sindicalistas, temas como redução da jornada, convenção da OIT e o trabalho no setor público deverão ser abordados.

A portaria do Ministério do Planejamento que obriga as empresas estatais a nomear um representante dos funcionários para seus conselhos de administração será assinada nesta sexta-feira, pela ministra Míriam Belchior, em cerimônia no Palácio do Planalto. O evento terá a presença da presidenta Dilma Rousseff e de representantes das centrais sindicais, que se reúnem após a assinatura do decreto para debater pautas relativas aos trabalhadores.

O presidente interino da CUT, José Lopez Feijóo, disse ao Portal do PT, que essa é uma antiga reinvindicação da categoria, que se arrasta desde a década de 90. “Isso democratiza. Porque os trabalhadores passam a contar com um representante seu nos conselhos das empresas. Portanto, isso significa a possibilidade concreta de quando as empresas planejam a sua vida levar em consideração as demandas de trabalhadores e trabalhadoras”, justifica Feijóo.

Com o decreto, todas as empresas estatais, públicas e de economia mista ligadas à União, com mais de 200 empregados, terão de se adequar à lei. Empresas ligadas a governos estaduais e municipais não são atingidas pela norma.

Na avaliação de Feijóo a assinatura da portaria é uma vitória. Mas a expectativa da CUT é acertar temas pendentes, e estabelecer diálogo permanente com o governo federal, para que assuntos de interesses dos trabalhadores sejam discutidos com antecedência para chegar a acordos. “Há aqui pontos que precisamos dialogar a respeito. Um processo, um canal de diálogo permanente é fundamental pra que a gente possa expressar os diálogos e a continuidade desta pauta”.

Para Feijóo alguns temas são prioritários e devem ser discutidos na reunião como a redução da jornada de trabalho, a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe demissão imotivada e a que estabelece o direito de negociação de trabalhadores do setor público. “Nós temos uma pauta relativamente extensa que certamente não será resolvida nesta reunião, mas que apontará digamos assim, aquilo que será o centro do debate para a CUT”. (Julita Kissa – Portal do PT)




Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/nacional-2/dilma-rousseff-recebe-centrais-sindicais-nesta-sexta-feira-47031.html

Luciana Genro vai processar a Veja

Reproduzo nota publicada no blog RS Urgente, de Marco Aurélio Weissheimer:

Luciana Genro envia nota em resposta à matéria publicada na Veja e anuncia que processará a revista por dano moral. A Veja acusou a ex-deputada federal do PSOL de “usar o prestígio” do pai, o governador Tarso Genro (PT), para obter privilégios e patrocínio para o projeto de uma escola preparatória para o vestibular e o ENEM. A nota afirma:

O Projeto Emancipa já é um sucesso. As incrições ainda não terminaram, mas já temos mais inscritos do que as 100 vagas disponíveis. O apoio que temos recebido é enorme. Este apoio se expressou inclusive na imprensa gaúcha, que através de vários comunicadores e jornalistas ajudou a divulgar o projeto pela sua relevância social, não se prestando a reproduzir as “denúncias” da revista Veja.

Todos sabem da lacuna existente na preparação dos jovens oriundos das escolas públicas que desejam entrar na universidade. Então, quem poderia querer detonar um projeto que oferece preparação para o vestibular e o Enem GRATUITAMENTE para estudantes de escolas públicas? Aqui no Rio Grande do Sul, só os “viúvos” de Yeda Crusius.

Entretanto, em respeito às pessoas que me apoiam e respeitam e que têm sido questionadas por quem não conhece a minha trajetória, esclareço:

- Vou processar a revista Veja por danos morais, visto que o jornalista que assina a matéria sequer me ouviu, publicando uma reportagem absolutamente fantasiosa sobre o Projeto Emancipa, coordenado por mim no Rio Grande do Sul.

- A Secretaria de Educação não me concedeu nenhum privilégio como insinua a reportagem. A direção do Colégio Júlio de Castilhos, assim como outras escolas estaduais, proporciona a execução de diversos projetos nas suas dependências. O Emancipa é um deles e paga à escola R$ 600,00 por mês pelas duas salas.

- Os (as) professores(as) não serão “bem remunerados” como maliciosamente diz a reportagem. Receberão R$ 20,00 a hora aula. Como são apenas duas turmas, a média de remuneração de cada professor deverá ser por volta de R$ 300,00.

- A cota de patrocínios do Emancipa está fechada com 5 empresas e não estamos em busca de mais patrocinadores como mentirosamente afirma a reportagem.

-Sobre a Icatu Seguros, um empresa que atua no mercado gaúcho através do Banrisul há mais de 10 anos, muito me estranha que somente agora, para me atacar, a Veja levante suspeitas sobre esta relação. Eu não respondo pelas atividades de nenhuma empresa, mas a verdade é sempre útil: basta verificar o balanço 2010 do Banrisul, disponível na internet, para comprovar a mentira. A seguradora Icatu não tem contrato de exclusividade com o Banrisul. Além disso esta empresa apóia diversas OSCIPs e ONGs, não apenas o Emancipa.

- Quanto à afirmação de que “Luciana, que na política criticava o pai, na vida empresarial usa de seu prestígio para lucrar”, quem terá que se explicar é a Veja. E terá que fazê-lo no Justiça. Primeiro, porque não estou “lucrando” e nem sequer estou na “vida empresarial”. O Emancipa não é uma empresa e não pode dar lucro. Não é por que deixei de ser deputada que vou abrir mão de realizar atividades socialmente relevantes, mesmo que de forma privada, mas que respondam a interesses coletivos. Quanto ao suposto uso do prestígio do meu pai, Tarso Genro, minha trajetória me autoriza a ter certeza que os parceiros do Emancipa avaliaram em primeiro lugar o meu próprio prestígio para decidir pela participação no projeto.

* Luciana Genro – Coordenadora do Projeto Emancipa-RS.


Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/luciana-genro-vai-processar-veja.html

quinta-feira, 10 de março de 2011

Uma pequena homenagem, atrasada mas com muito prazer, as Mulheres

Hoje é dia 10 de março de 2011. Estou atrasado 2 dias para prestar uma homenagem às mulheres pela sua data internacional – 8 de março. Porém, a faço mesmo assim, acreditando que todos os dias são importantes para demonstrar nosso amor e admiração por alguém, mesmo que as vezes os nossos afazeres, o corre-corre do dia a dia, o stress, ou até o esquecimento, nos faça passar por cima de datas tão importantes.

Queria dedicar esse pequeno texto a minha esposa e companheira, a minha irmã, a minhas tias, a minhas amigas e companheiras de luta, familiares, sogra, cunhadas, etc. Mas na verdade, a verdadeira homenageada, a pessoa que vai representar todas elas, é a minha mãe.

Dia 08, também é o aniversário dela, e infelizmente não consegui falar com ela ainda. Passamos carnaval, e dia 08 foi terça de carnaval, em lugares diferentes, mas sempre com uma sintonia única que nos une.

Sem ela eu não estaria aqui, pois foi ela que me geriu, me nutriu, sonhou comigo e embalou meus sonhos, coçando minha cabeça debruçada sobre seu colo, numa conversa amiga e em conselhos, ou em silêncio, que por mais que eu não concordasse, sempre foram definitivos para a minha formação. Ela foi e continua sendo a pessoa que não dorme enquanto eu não chego em casa; a pessoa que não esquece de pedir pelos filhos e filha ao bom Deus e a virgem Maria todos os dias; é a pessoa que dedicou sua vida toda a nós, com um instinto maternal fora do comum; é a pessoa mais rica de amor, de bondade no coração, de honestidade e de fé que eu conheço. Tem toda uma simplicidade que é dotada de uma complexa acumulação de experiências que a vida lhe porporcionou. E tem também toda uma disposição, uma resistência e uma fortaleza, que engana quem vê aquela pessoa tão meiga, sorridente, prestativa, e que sempre acredita que algo melhor vai acontecer, e faz de tudo pra que só aconteça o melhor para os filhos. Teimosa e as vezes braba, mas é emotiva, fofa, e com uma sabedoria que sempre te faz confiar nela. É tanta coisa... é mãe, é amiga, é mulher, é sonhadora, é batalhadora... é tanta coisa... é minha referencia... É a minha mãe!

Minha mãe é isso. Acho que ela tem um pouco de todas as mulheres e todas as mulheres tem um pouco dela. Por mais que não tenha sido feliz na homenagem, esta é uma forma de dizer, e até desabafar, sobre o quanto eu a amo, sinto saudade dela, me preocupo com ela – todos os dias da minha vida – , o quanto ela é importante pra mim, e o quanto ela me faz feliz.

A benção minha mãe!!!

E que Deus abençoe todas as mulheres!!! Vocês são muito importantes e tem um poder e uma capacidade fora do comum!!!

Hilheno Oliveiral Miranda (Leno Miranda)

Aproveito e deixo aqui os vídeos do Documentário “Muito prazer, Mulheres do PT!”, que foi feito pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT, para homenagear as mulheres que ajudaram na construção do partido e a construir debates e ações que feministas e libertárias no país.

Reintegração de compromissos feitos por Dilma no começo do seu governo

Lula, presidente de honra do Partido dos Trabalhadores

No aniversário de 31 anos do PT, o partido reconduz Lula à presidência de honra da agremiação. Veja o pronunciamento do ex-presidente abaixo.









quinta-feira, 3 de março de 2011

Paulo Freire, um homem ímpar


O educador e filósofo Paulo Freire, se estivesse vivo, completaria 90 anos em 2011. Com seu método revolucionário de alfabetização foi, de forma articulada, com método, rigor científico, compromisso social e político, o primeiro neste país a enfrentar o flagelo da ignorância e da falta de oportunidade. Com sua vontade e seu propósito, Freire não apenas ensinou a ler as letras do alfabeto, mas deu significado à leitura, uma função social.

Paulo Freire chamou homens e mulheres que não tinham nenhuma esperança de participar ativamente da dinâmica cívica, por falta total de informação, para uma situação de protagonismo social. E foi além. Ensinou a escrever formando senso crítico, estimulando a formação da opinião e a criticidade. É a partir deste movimento que o Brasil percebe a necessidade de criar uma política de combate ao analfabetismo. Ele mesmo dizia que a escolarização era um forte elemento para a formação da consciência do cidadão.

Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou dos intelectuais de sua época por voltar-se ao diálogo com as pessoas simples, não apenas como método de instrução, mas sobretudo como um meio de exercer a democracia em sua plenitude.

E é neste ponto que Paulo Freire se mostra contemporâneo e atual. Foi Paulo Freire quem quebrou no Brasil o estigma de que não é preciso ter berço, ou dinheiro, ou posição social para ter acesso às escolas. Quando atualmente presenciamos os indígenas tendo acesso ao ensino superior, ou os negros ocupando vagas por cotas, ou ainda as populações do interior deste país tendo acesso às Universidades Federais, é importante olhar pra trás e enxergar que a semente foi plantada por este ilustre Pernambucano.

Sendo um homem ímpar, profundo conhecedor de filosofia e de educação, Paulo Freire começou a dedicar-se à educação de jovens e adultos em 1962, quando realizou junto com sua equipe as primeiras experiências de alfabetização popular que levariam à constituição do Método Paulo Freire. Seu grupo foi responsável pela alfabetização de 300 cortadores de cana em apenas 45 dias. Em resposta aos eficazes resultados, o presidente João Goulart, que empenhava-se na realização das reformas de base, aprovou a multiplicação dessas primeiras experiências num Plano Nacional de Alfabetização, que previa a formação de educadores em massa e a rápida implantação de 20 mil núcleos pelo País.

A obra e o legado de Paulo Freire serão revistos e revisitados durante o ano de 2011. A primeira ação oficial será uma sessão solene realizada na Câmara dos Deputados em Brasília no dia 8 de abril, a pedido do nosso mandato. É importante reforçar a importância deste homem para a concretização do processo democrático brasileiro.

Afinal, não seria Lula a mais legítima expressão do processo pedagógico dos oprimidos? Paulo Freire tem sua “culpa” nisso. Ensinou pessoas simples a levantar o olhar, encarar a vida, buscar o conhecimento e fortalecer a auto-estima. Contribuiu para formar uma intelectualidade orgânica no mais fundo sentido gramisciano....



Fernando Ferro é deputado federal pelo PT-PE

Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/paulo-freire-um-homem-impar-45261.html

Exorcizar fantasmas


Texto publicado no jornal O Globo, edição de 21/02/2011

Um dos principais desafios para o Congresso Nacional, nesta legislatura que se inicia em 2011, é a aprovação de uma reforma tributária que ponha fim, de vez, às distorções existentes. A cada eleição o tema vem à tona, mas agora, aparentemente, há um entendimento consolidado de que o sistema atual precisa ser simplificado, como a própria presidente Dilma Rousseff afirmou várias vezes.

O governo Lula já mandou uma proposta, e o PT a apoia, uma vez que atende aos anseios de simplificação, como a redução dos impostos federais e a condensação das legislações estaduais em uma única.

O principal desafio é buscar um sistema que garanta justiça fiscal, já que, na prática, são os pobres e a classe média os que mais pagam impostos no País. Precisamos desonerar a cesta básica, as exportações, os investimentos.

A barafunda legal é extensa e faz com que um imposto sobre o consumo seja aplicado sobre a produção. Outra modificação importante refere-se à necessidade de acabar com a guerra fiscal entre os estados.

O governo Lula enviou ao Congresso, já em 2003, uma primeira PEC com o objetivo de racionalizar nosso sistema tributário. A proposta acabou sendo desidratada, sobretudo dada a reação dos governadores. No segundo mandato, foi encaminhada a PEC 233, incorporando a reflexão feita com Estados, municípios e entidades da sociedade civil. É um avanço, pois aperfeiçoa a política nacional de desenvolvimento regional, e unifica cinco fundos públicos hoje existentes em um único, de abrangência nacional. Este fundo nacional passaria a não apenas financiar com crédito a produção, mas também a promover programas de desenvolvimento e até políticas estaduais de incentivo às empresas.

Até agora, os opositores da reforma ainda não explicaram claramente por que são contrários a uma mudança que trará benefícios para o País e para cada setor econômico.

O adiamento impede a desoneração da folha das empresas, o aumento da competitividade sistêmica de nossa economia e ainda o aumento da oferta de empregos. Os partidos de oposição precisam explicar à nação por que insistem em retardar a mudança que dará contornos mais estratégicos para a inserção internacional do Brasil. A reforma tributária, assim como a política e eleitoral, é vital para a agenda de 2011.

Precisamos vencer tabus e exorcizar fantasmas de que uma reforma tributária seria impraticável num momento de tormenta da economia mundial - primeiro com a crise de 2008, agora com a guerra cambial. É preciso cautela, mas as medidas simplificadoras que vão gerar mais competitividade e justiça fiscal em nosso sistema econômico justificam uma mudança.

Pode-se fazer por etapas e instituir mecanismos que blindem determinados setores e as fontes para os programas sociais. Mas é inegável que não podemos mais tapar o sol com a peneira, escamoteando uma realidade da qual os únicos beneficiários são os que se aproveitam das distorções hoje existentes.

Fernando Ferro é deputado federal (PT-PE).


Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/fernando-ferro:-exorcizar-fantasmas-43941.html

Um novo estatuto do PT, nossa reforma política interna

O 4º. Congresso Nacional do PT, em fevereiro de 2010, deliberou pela realização de um amplo debate a respeito de nossa trajetória organizativa e dos desafios presentes e futuros de nossa grande instituição partidária, que já completou 31 anos de vida. Esse debate tem por objetivo atualizar nosso estatuto partidário e reforçar os instrumentos institucionais internos que garantem nossa democracia e concepção organizativa.*

A resolução que estabeleceu essa reforma definiu uma pauta obrigatória, fruto das reflexões acerca da vivência política que nos levou a tantas vitórias importantes, mas que também passou por crises e impasses marcantes.

Devemos debater o financiamento da atividade partidária, ou seja, discutir sem reservas as formas de sustentar materialmente o partido e reduzir sua dependência de finaciamentos externos. Esse é um ponto decisivo para estabelecer, de forma transparente, uma estratégia permanente de viabilização do crescimento sustentável de nossa presença política na
sociedade.

O IV Congresso também destaca para debate o caráter coletivo das campanhas eleitorais do Partido, ou seja, como garantir que os projetos individuais não se sobreponham às demandas coletivas e à democracia interna. Em um partido como o PT, o risco de nos tornarmos reféns da estrutura política externa ao partido é sempre presente, quanto mais crescemos e nos tornamos atores decisivos da vida política da Nação.

Trataremos, também e especialmente, da necessidade de aumentar o número de filiados e melhorar a vida orgânica do Partido. O PT, na maioria das pesquisas de opinião, tem mais de 20% de simpatia popular, em torno do triplo do segundo colocado, o PMDB, que registra entre 6 a 9% dos pesquisados.É razoável que tenhamos a ambição de trazer 20% desses simpatizantes, para o ato de filiação formal ao partido com o qual se identificam. Isso representa quintuplicar nosso quadro. Mas para que isso seja uma conquista de consciência e participação, temos que tratar da ampliação da democracia interna, inclusive garantindo formação política e comunicação interna regular para o conjunto dos filiados. Por mais que o PT seja a experiência mais efetiva de participação partidária do Brasil, e referência para inúmeros partidos de outros países nesse aspecto, sabemos que há um enorme desafio para superar o abismo entre a filiação e a real participação democrática nos rumos da nossa vida interna.

As experiências positivas e negativas verificadas nos PEDs de 2001 a 2009 nos determinam o desafio de consolidar o instrumento do voto direto e afastar de nosso caminho os desvios típicos das disputas eleitorais despolitizadas. Para tanto, é necessidade urgente o fortalecimento da capacidade dirigente das instâncias partidárias.*

A combinação entre a agenda institucional do Partido e as lutas sociais determinam o caráter multifacetado de um partido que busca intervir nos mais variados espaços do Brasil. Para que isso se sustente em termos estratégicos, é vital capacitar o Partido para o debate ideológico e
programático em curso na sociedade brasileira.*

O debate que faremos será determinante para que nossa construção partidária se consolide nos próximos anos. Mais que discutir regras isoladas de eleição de instâncias, o fundamental é ousar no projeto organizativo e buscar a qualidade das relações políticas como insumo básico para nosso projeto político.

No momento em que a sociedade brasileira retoma a questão da reforma política, a primeira iniciativa de nossa reforma interna deve ser a participação das bases do partido na discussão. As centenas de milhares de filiados devem dar a demonstração de que esse não é um problema da direção, nem as respostas virão da cúpula. Nosso PT já mostrou que a militância é que defende e protege o partido, na luta pela democracia de nosso projeto
socialista.

Ricardo Berzoini é deputado federal (PT-SP) e presidirá a Comissão de Reforma Estatutária do PT.




Fonte:
http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/um-novo-estatuto-do-pt-nossa-reforma-politica-interna-44821.html